O fungo invade os vasos do cafeeiro, prejudica a circulação de seiva e pode resultar em perdas irreversíveis na lavoura.
Uma enfermidade ainda pouco familiar para os cafeicultores tem chamado a atenção de pesquisadores e técnicos da cafeicultura no Brasil. A fusariose tardia, provocada por fungos do gênero Fusarium, tem sido observada principalmente em lavouras mais antigas de café arábica, podendo causar desde a perda parcial da copa até a morte total das plantas.
O problema ganhou notoriedade recentemente, após relatos da Fundação Procafé sobre casos registrados em lavouras adultas no Sul de Minas. Diferentemente de outras doenças que afetam as folhas, a fusariose ataca o sistema vascular da planta, bloqueando os vasos responsáveis pelo transporte de água e nutrientes. Como resultado, o cafeeiro começa a murchar gradativamente.
De acordo com especialistas, a doença tende a surgir a partir da entrada do fungo por feridas no tronco ou nos ramos, especialmente após podas de renovação, recepas, decotes ou danos mecânicos provocados por atividades agrícolas.
Os primeiros sinais geralmente aparecem na parte superior da planta. O produtor nota o amarelecimento das folhas, murcha, secagem de ramos e desfolha progressiva. Com a evolução da doença, a copa começa a morrer de cima para baixo, comprometendo toda a estrutura produtiva do cafeeiro.
Um dos sinais mais característicos da fusariose pode ser observado ao remover uma pequena parte da casca do tronco. Nessa região, surgem estrias escuras ou avermelhadas nos vasos internos da planta, indicando que o fungo está obstruindo a circulação da seiva.
Por que a fusariose surge?
O fungo Fusarium é amplamente encontrado no ambiente e pode permanecer por longos períodos no solo, em restos vegetais e até em ferramentas contaminadas. Contudo, a doença normalmente se desenvolve quando encontra condições favoráveis e portas de entrada para a infecção.
Entre os principais fatores de risco, destacam-se:
• cafeeiros envelhecidos;
• podas frequentes sem cuidados sanitários;
• ferramentas contaminadas;
• feridas causadas durante a colheita ou manejo;
• excesso de umidade no solo;
• plantas sob estresse nutricional ou hídrico.
Como prevenir?
A prevenção continua sendo a principal estratégia de manejo, uma vez que o controle da doença após a infecção é bastante limitado.
Entre as recomendações técnicas estão:
• desinfetar tesouras, serras e demais ferramentas de poda;
• evitar podas em condições inadequadas;
• eliminar plantas severamente contaminadas;
• manter a lavoura bem nutrida e equilibrada;
• evitar encharcamento e melhorar a drenagem das áreas;
• utilizar materiais genéticos mais tolerantes quando disponíveis.
Existe tratamento?
Quando a doença já está instalada, não há uma solução curativa totalmente eficaz. Em alguns casos, os técnicos recomendam realizar uma nova poda abaixo da área afetada para remover parte dos tecidos comprometidos e estimular a brotação da planta. Essa medida pode prolongar a vida útil do cafeeiro, mas não garante a eliminação completa do problema.
Por isso, especialistas enfatizam que a identificação precoce dos sintomas e a adoção de boas práticas sanitárias são fundamentais para evitar que a fusariose se espalhe pelo cafezal e comprometa a produtividade da lavoura.



















