Produtor brasileiro não deseja vender abaixo de R$ 1.400,00, mas o cenário internacional pode exercer ainda mais pressão.
Ao analisar a safra 2025/26, a comercialização do café arábica atingiu 75%, de acordo com a média, enquanto a de conilon chegou a 69%, contra uma média de 80%. Na perspectiva da Pine Agronegócios, esse quadro indica que o produtor de conilon está capitalizado e optou por “não vender café abaixo de R$ 1.400”, mas essa atitude especulativa traz um risco considerável para esse produtor.
“No que diz respeito à demanda, ao conversar com exportadores, eles relataram que os americanos estão fazendo compras, mas procurando volume a um preço que o mercado não está oferecendo. Dessa maneira, quem precisa adquirir está pagando um preço mais alto, no entanto, não formam grandes lotes e compram apenas o essencial, deixando um volume significativo para as compras no início da safra”, aponta a consultoria.
Mercado Internacional
A publicação ressalta que, neste momento, a Etiópia apresenta o café Arábica mais barato, enquanto o Brasil detém o maior volume. “Nesse contexto, quem necessita adquirir café fino está optando pela Etiópia, enquanto quem busca um pouco mais de volume recorre ao Brasil.”
No que se refere ao Robusta, o Vietnã se destaca como o país mais competitivo, com uma diferença que pode chegar a U$ 500 por tonelada. Na Indonésia, a disparidade em relação ao café brasileiro é de U$ 280 por tonelada. “Assim, podemos esperar uma queda de pelo menos R$ 180 por saca de Conilon apenas para igualar a competitividade com o Vietnã. O produtor de Conilon que está vendido abaixo da média para a safra 26/27 deve ter cautela com o sentimento especulativo”, alertam os analistas da Pine.
“Em relação ao contexto brasileiro no cenário de exportação, observamos que os diferenciais estão alinhados exatamente com as informações que recebemos das tradings; o comprador está buscando cafés mais baratos, resultando na abertura dos diferenciais. Vale ressaltar que, no caso do café Grinders (Padrão commodity), temos um diferencial fraco, indicando que, neste momento, o comprador está indiferente a esse tipo de café. É importante também destacar que o mercado voltará a operar com 100% de disponibilidade na próxima semana; portanto, somente após o dia 12/01 teremos uma percepção mais clara sobre a situação”, avalia a consultoria.
Mercado Doméstico
No que diz respeito ao mercado interno brasileiro, a situação é distinta, com basis regionais em alta, já que o comprador doméstico está iniciando as compras de 2026, competindo com o comprador internacional.
“Estamos observando os basis para o café disponível subindo, e nesta semana, o café em várias praças estava próximo de R$ 2400, enquanto as tradings operavam na faixa de R$ 2300 para o mesmo café. Esse contexto de curto prazo, com basis fechando e diferenciais baixos fracos, não deve ser confundido com o comportamento da safra 26/27, onde os compradores estão realizando aquisições com basis muito abertos e diferenciais semelhantes. Contudo, devemos entender que, se o produtor não utilizar ferramentas de gestão de risco por meio de derivativos, o nível atual de preço é favorável para o vendedor pela relação de troca e excelente para o comprador (que fará a gestão de risco). Assim, o mercado de 26/27 começa a adquirir muita liquidez.”










