O estudo intitulado “Mercado de Commodities: Retrospectiva 2025 e Perspectivas 2026”, elaborado pela Hedgepoint Global Markets, indica que 2026 promete ser um ano de alta volatilidade para o mercado de commodities. Este cenário será moldado por fatores macroeconômicos, geopolíticos e climáticos, com ênfase nas políticas tarifárias dos Estados Unidos, nas eleições em mercados emergentes, em especial no Brasil, e nas táticas dos bancos centrais visando equilibrar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento econômico.
Conforme o relatório, 2025 foi um ano repleto de desafios e dinâmicas para o mercado de café, caracterizado por intensa volatilidade e preços recordes no primeiro semestre, motivados pela redução da produção no Brasil e por estoques globais limitados. Durante o ano, as tarifas impostas pelos Estados Unidos acrescentaram incertezas, enquanto, ao final do período, as atenções se concentraram no potencial produtivo da safra brasileira 2026/27.
Volatilidade em 2025 e atenção redobrada para 2026
Para 2026, a Hedgepoint, especialista global em gestão de risco, inteligência e hedge de commodities, prevê que a chegada da safra 2025/26 de países da América Central, Oeste Africano, Vietnã e Colômbia aumentará a oferta global a partir de janeiro, possibilitando alguma recomposição de estoques e uma possível pressão sobre os preços. No entanto, o mercado permanecerá sensível ao ritmo de comercialização do Brasil, além de eventuais desafios climáticos, logísticos e de custos na próxima safra.
Segundo Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, a recomposição de estoques não elimina os riscos. “O Brasil continua sendo o principal pêndulo do mercado. Qualquer surpresa climática pode reprecificar rapidamente a curva de preços”, observa.
Ambiente macroeconômico e geopolítico
O relatório ressalta que, em 2026, o cenário global continuará a observar as políticas tarifárias do governo americano, que têm o potencial de redesenhar os fluxos comerciais, especialmente na relação entre Estados Unidos e China. Em mercados emergentes, eleições significativas também podem modificar as dinâmicas regionais. No Brasil, o pleito presidencial e legislativo previsto para outubro é identificado como um dos principais vetores de volatilidade.
No âmbito monetário, espera-se que os bancos centrais busquem um balanço entre o controle da inflação e o estímulo ao crescimento. Com o Federal Reserve e o Banco Central Europeu próximos de estabilizar as taxas após os cortes realizados em 2025, o Brasil poderá iniciar 2026 com a possibilidade de reduzir a Selic, condicionada à ancoragem das expectativas inflacionárias.
“Esse contexto macroeconômico e geopolítico será crucial para os mercados de commodities, que também enfrentam desafios próprios relacionados à oferta, demanda e clima”, enfatiza Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.
Demais mercados de commodities
Além do café, o relatório analisa o desempenho do açúcar, que teve 2025 caracterizado por uma oferta abundante e preços pressionados, e destaca o clima no Brasil e as decisões da Índia como fatores-chave para 2026. No cacau, a volatilidade permanece elevada, com atenção voltada para o clima na África Ocidental e para a resposta da demanda a preços historicamente altos.
No complexo de soja, milho e trigo, o estudo enfatiza a influência da guerra comercial, do clima na América do Sul e das decisões de área nos Estados Unidos. Já o mercado de óleo de palma deve ser orientado pelo comportamento das importações asiáticas e pelas políticas de biocombustíveis no próximo ano.
O relatório conclui que, em 2026, clima, geopolítica e decisões de política econômica continuarão a estar no centro das estratégias de gestão de risco e formação de preços nos mercados globais de commodities.











