Por Oliver Griffin
SÃO PAULO, 23 Jan (Reuters) – A indústria brasileira de café solúvel está buscando esclarecimentos sobre a manutenção de uma tarifa de 50% imposta pelos EUA, mesmo após a suspensão das taxas para a maioria das demais exportações de café do país sul-americano, afirmaram associações empresariais à Reuters.
Em 2025, o então presidente dos EUA, Donald Trump, implementou tarifas sobre diversos produtos brasileiros em decorrência de uma disputa com o governo do Brasil sobre o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump.
No entanto, próximo ao final do ano passado, o governo Trump revogou as tarifas sobre várias exportações de café do Brasil, exceto para o café solúvel.
“Café em grãos inteiros, café torrado, café solúvel aromatizado, misturas estilo cappuccino, café com leite — todos esses produtos foram isentos”, comentou Aguinaldo José de Lima, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
As exportações de café do Brasil alcançaram um recorde de US$15,6 bilhões em 2025, apesar dos desafios tarifários que resultaram em uma queda de aproximadamente 21% no volume total exportado, para 40 milhões de sacas de 60 kg, segundo informações do grupo de exportadores Cecafé divulgadas nesta semana.
Entretanto, enquanto as exportações totais de café verde em dezembro – cerca de um mês após a suspensão das tarifas de importação dos EUA – apresentaram uma diminuição de 18% em comparação ao mesmo mês de 2024, as exportações de café solúvel caíram 35%, totalizando 273.466 sacas.
“Não conseguimos entender por que o café solúvel aromatizado foi isento de tarifas, enquanto o café solúvel comum não foi”, afirmou Lima, acrescentando que pode ter ocorrido alguma confusão relativa aos códigos de exportação de certos produtos. “Estamos investigando a situação.”
Historicamente, os EUA têm sido o principal comprador de café solúvel do Brasil.
A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) está colaborando com entidades norte-americanas, como a National Coffee Association (NCA), para demonstrar que a tarifa resulta em prejuízos tanto para brasileiros quanto para norte-americanos, declarou Celírio Inácio, diretor executivo da Abic, em entrevista.
“Não existe justificativa para a manutenção das tarifas sobre o café solúvel”, afirmou Inácio.
No entanto, Inácio expressou que não espera uma solução rápida para a questão das tarifas sem atualizações sobre a evolução da safra de café que possam influenciar os preços.
“Penso que estaremos em um período de espera para ver se essa tarifa de 50% dos Estados Unidos será mantida, se a produção apresentará boas perspectivas e se o clima será favorável”, concluiu.
(Reportagem de Oliver Griffin)











