Atualizado em: 20/10/2025 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 2.150,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.650,00 Conilon tipo 7: R$ 1.350,00
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Infraestrutura portuária gera prejuízo de R$ 66,1 mi aos exportadores de café

Infraestrutura portuária causa perdas de R$ 66,1 milhões para os exportadores de café.

A infraestrutura portuária inadequada nos principais portos do Brasil resultou em um prejuízo de R$ 66,1 milhões para os exportadores de café ao longo de 2025. Essa informação é parte de uma pesquisa realizada pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em conjunto com as empresas associadas, que destaca as crescentes dificuldades no escoamento das cargas conteinerizadas.

Somente em dezembro de 2025, as exportadoras enfrentaram perdas de R$ 4,631 milhões devido ao não embarque de 1.475 contêineres carregados com café, o que equivale a 486.303 sacas de 60 kg.

De acordo com Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, os prejuízos são consequência de diversos obstáculos logísticos. “Filas de caminhões, pátios congestionados, falta de berços, movimentação inadequada de cargas, atrasos e mudanças nas escalas de navios resultaram em prejuízos milionários com armazenagem extra, pré-estocagem e detenção”, explica.

Com a adição dos dados de dezembro, o total de 2025 evidencia um cenário contínuo de esgotamento da infraestrutura portuária.

Infraestrutura portuária compromete embarques e receita cambial

Na média mensal de 2025, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou mudanças de escala. Além disso, cerca de 1.824 contêineres carregados com café, equivalentes a 601.819 sacas, deixaram de ser exportados a cada mês.

Esse volume impediu que o Brasil recebesse US$ 2,640 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 14,670 bilhões em receitas cambiais durante o ano.

Heron destaca que os recordes gerais de movimentação portuária divulgados por autoridades públicas acabam ocultando os problemas enfrentados pelas cargas conteinerizadas.

Segundo ele, não é apenas o café que é afetado por esses obstáculos. “Outros setores relevantes, como açúcar, algodão e produtos florestais, também enfrentam dificuldades semelhantes. É crucial que os governantes estejam cientes dessa realidade para implementar políticas públicas que aumentem a capacidade dos terminais, diversifiquem os modais de transporte e acelerem os investimentos em infraestrutura”, afirma.

Entre as ações necessárias, o diretor técnico menciona a ampliação dos pátios, berços de atracação e o aprofundamento dos calados para receber grandes embarcações.

Impactos também atingem os cafeicultores

Além das perdas para as exportadoras e para o país, os entraves logísticos afetam diretamente os produtores rurais.

Heron lembra que o Brasil repassa, em média, mais de 90% do valor Free on Board (FoB) das exportações aos cafeicultores nas safras recentes.

Portanto, o não embarque de café significa menos receita não só para o comércio exterior, mas também para os produtores. “Os cafeicultores enfrentam adversidades climáticas e altos custos de produção. Quando o café não é embarcado devido a falhas logísticas, isso impacta diretamente a renda de quem está na base da cadeia”, comenta.

Crescimento do agro pressiona ainda mais a logística

Entre 2016 e 2025, as exportações do agronegócio brasileiro aumentaram 72%, subindo de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas, de acordo com dados do AgroStat, do Ministério da Agricultura e Pecuária.

O crescimento médio anual foi de aproximadamente 6%.

Para o Cecafé, se os investimentos em infraestrutura continuarem a ser lentos e burocráticos, o comércio exterior continuará acumulando prejuízos, e o país perderá competitividade.

Preocupação com atrasos em novos investimentos portuários

Heron também expressa preocupação com a possibilidade de judicialização do leilão do Tecon Santos 10, após recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que restringiu a participação de armadores.

Segundo ele, essa decisão pode atrasar ainda mais a ampliação da capacidade de pátio e berços no Porto de Santos, o principal corredor de exportação do café brasileiro.

Como alternativa para minimizar os prejuízos, o diretor técnico menciona a parceria entre a Imetame Porto Aracruz e a Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária do armador Hapag-Lloyd, que pode atrair cargas para o Espírito Santo e ajudar a aliviar o porto santista.

Raio-X dos atrasos nos portos

Em dezembro de 2025, 52% dos navios — 187 de um total de 361 embarcações — apresentaram atrasos ou alterações de escala nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

O Porto de Santos, responsável por 78,7% dos embarques de café em 2025, registrou um índice de 65% de atrasos, envolvendo 105 de 162 navios. O maior tempo de espera chegou a 82 dias.

Já o complexo portuário do Rio de Janeiro, o segundo maior exportador de café do país, com 17,7% de participação, apresentou 41% de atrasos no mês.

Adesão ao Boletim DTZ

Os exportadores interessados em acessar o Boletim Detention Zero podem se inscrever por meio de cadastro junto à ElloX Digital, que fornece orientações para obter as informações diretamente dos terminais portuários.

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