Atualizado em: 20/10/2025 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 2.150,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.650,00 Conilon tipo 7: R$ 1.350,00
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Tarifaço dos EUA interrompe recorde nas exportações de café solúvel do Brasil

Aumento de tarifas nos EUA interrompe sequência de recordes nas exportações de café solúvel do Brasil.

As exportações para os EUA caíram 28% no último ano, influenciadas por uma redução de 40% entre agosto e dezembro, período em que esteve em vigor a tarifa de 50%

Segundo informações do Relatório do Café Solúvel do Brasil 2025, produzido pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), as exportações do produto somaram 85,082 mil toneladas, equivalente a 3,688 milhões de sacas de 60 kg enviadas ao exterior no ano passado, o que representa uma diminuição de 10,6% em relação às 95,221 mil toneladas (4,127 milhões de sacas) registradas no ano anterior.

Por outro lado, as receitas geradas pelas exportações cresceram 14,4% em relação a 2024, atingindo o recorde de US$ 1,099 bilhão. “Esse aumento no valor, apesar da queda no volume, se deve à valorização da cotação da matéria-prima, tanto dos cafés arábicas quanto dos canéforas (conilon e robusta), elevando o preço do café solúvel no mercado”, explica Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS.

IMPACTO DO TARIFAÇO DE 50% NO MERCADO DOS EUA

A implementação da tarifa de 50% sobre o café solúvel brasileiro importado pelos Estados Unidos teve um impacto considerável nas exportações do produto, que diminuíram 28,2% em comparação a 2024.

“Durante o período de aplicação dessa tarifa de 50%, entre agosto e dezembro, a redução foi ainda mais acentuada: 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso evidencia o impacto direto e imediato da barreira comercial na competitividade do café solúvel brasileiro nesse mercado crucial”, ressalta Lima.

Ele observa que a tarifa, que ainda está em vigor sobre o produto, torna o café solúvel brasileiro excessivamente caro, levando os importadores dos EUA a buscarem alternativas em países concorrentes com tarifas menores. “Isso resulta na perda de participação de mercado para o Brasil e na necessidade urgente de reavaliar as estratégias de diversificação de mercados”, complementa.

PRINCIPAIS IMPORTADORES

Os EUA, evidenciando a importância desse mercado para o café solúvel brasileiro, mantiveram-se como o principal destino das exportações, mesmo com a tarifa de 50% que entrou em vigor em agosto. Os norte-americanos compraram, em 2025, o equivalente a 558.740 sacas (-28,2%).

Completando o top 3, estão a Argentina, que importou 291.919 sacas do produto, com um crescimento de 40,2% em relação a 2024, e a Rússia, com 278.050 sacas, representando um aumento de 9,8% no comparativo anual.

Entre os principais destinos do café solúvel em 2025, destaca-se a Indonésia, com 165.308 sacas; o México, com 128.595 sacas; o Vietnã, com 118.691 sacas; e, principalmente, a Colômbia, que ampliou suas compras em 178,2%, totalizando 130.029 sacas. “O destaque a esses países se deve ao fato de serem grandes e tradicionais produtores de café solúvel”, informa o diretor executivo da ABICS.

REDIRECIONAMENTO E ACORDOS COMERCIAIS

Segundo Lima, o tarifaço imposto pelos EUA e a subsequente queda nas exportações para o principal importador do café solúvel do Brasil indicam a necessidade de o país considerar um possível redirecionamento do produto para outros mercados, embora o cenário atual seja crítico e desafiador.

“O Brasil possui um número relativamente limitado de acordos comerciais abrangentes, e as tarifas impostas por outras nações e blocos econômicos prejudicam a competitividade do café solúvel brasileiro no cenário global”, explica.

Além disso, ele ressalta que “não é uma tarefa simples” redirecionar volumes tão significativos, como os que eram destinados aos Estados Unidos, em um curto espaço de tempo.

“Novos mercados precisam ser desenvolvidos, e isso requer tempo, investimentos em marketing, adaptação a diferentes regulamentações e, crucialmente, a negociação de condições comerciais favoráveis, frequentemente por meio de acordos bilaterais ou blocos econômicos. A falta de acordos pré-estabelecidos dificulta uma resposta ágil a choques comerciais, como o imposto pelos EUA”, conclui o executivo da ABICS.

MERCADO INTERNO

Em contraste com o volume exportado, o consumo interno de café solúvel atingiu um novo recorde no ano passado, quando o Brasil absorveu 27,008 mil toneladas, equivalentes a 1,170 milhão de sacas, um aumento de 9,5% em relação a 2024.

“Esse desempenho reflete uma crescente preferência do consumidor brasileiro por essa modalidade de café e o sucesso das estratégias das indústrias de café solúvel voltadas para o mercado interno. A inflação menor sobre o produto — 34% no acumulado de 2024/25 contra 75% do café torrado e moído — também deve ter contribuído”, analisa Aguinaldo Lima.

RISCOS COM A REFORMA TRIBUTÁRIA

A aprovação da Reforma Tributária extinguirá, a partir de 1º de janeiro de 2027, as contribuições sociais sobre a receita bruta (PIS/Pasep e COFINS) para o segmento de café solúvel, o que impedirá a apuração do crédito presumido de 7,4% do valor adquirido de café verde industrializado para exportação a partir dessa data.

Dessa forma, entre o primeiro dia do próximo ano e 31 de dezembro de 2032, durante a transição para o novo modelo tributário, as exportações de café solúvel enfrentarão um aumento em seu custo implícito devido à falta de uma medida compensatória para o fim do crédito presumido.

“O impacto é devastador! Com o fim do crédito presumido, a indústria brasileira do setor, considerando os valores médios do café em 2025, perderá R$ 430 milhões, o que corresponde a 7,4% do valor exportado de café solúvel no ano passado. Isso significa que, por saca, o crédito presumido equivale a R$ 105,08 em resíduos tributários. Considerando a cotação média do dólar para venda em 2025, esses R$ 105,08 correspondem a um acréscimo de US$ 19,89 para cada saca desse produto exportado, resultando em uma ‘exportação’ de uma saca em tributos a cada 14 sacas embarcadas”, revela o executivo da ABICS.

PERSPECTIVAS 2026

O desempenho do café solúvel brasileiro em 2025 destaca a dicotomia entre um mercado interno robusto e os desafios crescentes no comércio internacional. Enquanto o consumo doméstico demonstra grande potencial de crescimento, a possível perda de uma parte significativa do mercado norte-americano e a vulnerabilidade a medidas protecionistas, como a tarifa de 50%, ressaltam a necessidade de uma estratégia de longo prazo mais sólida para as exportações.

A busca por novos mercados e a intensificação das negociações de acordos comerciais são essenciais. A União Europeia, com seu alto volume de consumo e as perspectivas de redução tarifária por meio do acordo Mercosul-UE, representa uma rota promissora no médio e longo prazo.

Entretanto, é fundamental que o Brasil continue a diversificar seus destinos de exportação, melhore sua competitividade e busque uma agenda mais ativa de acordos comerciais, que possam mitigar os riscos de concentração de mercado e as barreiras tarifárias.

Adicionalmente, um dos maiores desafios para 2026 será encontrar soluções junto aos Poderes Executivo e Legislativo do Brasil para amenizar os impactos da perda do crédito presumido com a Reforma Tributária.

A necessidade de diálogo e de propostas que possam compensar essa desvantagem competitiva se torna um pilar fundamental para a sustentabilidade e o crescimento do setor.

“O recorde de divisas alcançado em 2025, apesar da queda no volume exportado, demonstra a resiliência de um setor que, nos últimos seis anos, investiu cerca de R$ 2,5 bilhões em novas plantas de produção, expansões e sustentabilidade, o que exigirá uma abordagem estratégica e proativa diante de um cenário geopolítico, comercial e tribut

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