A previsão para a produção de café no Brasil em 2026 é de 66,2 milhões de sacas de 60 kg, representando um crescimento de 17,1% em comparação a 2025, estabelecendo um novo recorde. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (05) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu primeiro levantamento para a safra.
Além do ciclo de bienalidade positiva, a safra no maior produtor e exportador mundial de café deve ser favorecida pelo aumento da área cultivada e da produtividade, conforme afirmou o órgão.
A Conab projeta que a área destinada à produção de café no Brasil aumentará 4,1%, alcançando 1,93 milhão de hectares, enquanto a produtividade média nacional deverá chegar a 34,2 sacas por hectare, um incremento de 12,4% em relação à safra anterior.
De acordo com a Conab, “as condições climáticas favoráveis durante o ciclo da cultura e a adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras”, em meio a preços recordes no ano passado, têm contribuído para uma melhora na produtividade.
A produção de café arábica, cuja produtividade é mais impactada pela bienalidade, está prevista em 44,09 milhões de sacas, um aumento de 23,3% em relação à safra anterior. Para as variedades canéforas (conilon/robusta), a expectativa é de um crescimento de 6,4%, totalizando 22,09 milhões de sacas, um aumento que pode ter surpreendido o mercado, que sinalizava uma redução após o recorde da temporada passada.
O aumento na produção total de café brasileiro, cuja colheita normalmente inicia-se em abril, deve ser mais impulsionado pelas variedades arábicas. Na véspera, o Itaú BBA estimou um crescimento de 10% na produção do país, aproximando-se do recorde, com 69,3 milhões de sacas.
Analistas do setor privado costumam prever uma produção superior à da Conab, estimando pelo menos 70 milhões de sacas, o que contribuiu para uma pressão recente na bolsa de Nova York, que registrou uma mínima de cinco meses e meio na véspera.
No início de 2025, o preço do café arábica em Nova York atingiu valores próximos de US$4,40/libra-peso, em comparação a pouco mais de US$3/libra-peso recentemente, à medida que as indicações sugeriam uma recuperação na produção brasileira após as floradas do final do ano passado.
Impulsionada pelos preços altos ao longo do último ano, a área total de café, incluindo lavouras em formação, cresceu 3,4% em relação ao ano anterior, totalizando 2,33 milhões de hectares.
Segundo a Conab, os preços continuarão em níveis historicamente elevados, mesmo com a safra recorde brasileira, uma vez que os estoques globais no início da temporada 2025/26 estão nos níveis mais baixos dos últimos 25 anos, com o aumento do consumo global, especialmente no mercado asiático.
Por regiões
Minas Gerais, o principal produtor de café do país e o Estado com a maior área destinada ao arábica, deverá produzir 32,4 milhões de sacas, um aumento de quase 26% comparado ao ano anterior.
“O excelente resultado é atribuído à melhor distribuição das chuvas, especialmente nos meses que antecedem a floração, além de fatores fisiológicos da planta”, explicou a Conab.
Em São Paulo, outro importante produtor de arábica, a expectativa é de uma safra de 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior, segundo o relatório.
Na Bahia, a previsão de crescimento na produção total do grão é de 4%, alcançando 4,6 milhões de sacas.
No Espírito Santo, a produção de café está estimada em 19 milhões de sacas, um aumento de 9% em relação a 2025. A maior parte desse volume refere-se à colheita de conilon, com 14,9 milhões de sacas, um crescimento de 5% em comparação à safra anterior, mantendo o Estado como o principal produtor da variedade no país.
“Esse resultado positivo é resultado das boas precipitações observadas no norte do Estado, que beneficiaram as lavouras”, detalhou a Conab.











