Por Marcelo Teixeira
NOVA YORK, 25 Mar (Reuters) – Os contratos futuros do café arábica e robusta na bolsa ICE deverão experimentar uma queda acentuada até o final de 2026 em relação aos preços atuais, devido a uma colheita maior no Brasil e à estagnação da demanda, conforme uma pesquisa da Reuters divulgada nesta quarta-feira.
A pesquisa com 11 analistas revelou uma previsão mediana para o preço do café arábica de US$2,25 por libra-peso até o final deste ano, o que representa uma queda de 29% em relação ao preço de fechamento de US$3,1785 na terça-feira. Se confirmada, essa previsão indicaria uma diminuição de 35% em comparação ao valor no final de 2025.
O preço do café robusta foi estimado em US$2.500 por tonelada métrica no encerramento deste ano, 31% abaixo do preço de fechamento de US$3.662 na terça-feira. Essa estimativa significaria uma redução de 36% em relação ao preço no final de 2025.
A maioria dos analistas prevê um aumento na produção de café no Brasil, que é o maior produtor global, na temporada 2026/2027, que se inicia em julho. A previsão mediana aponta para uma colheita de 74 milhões de sacas de 60 kg, 10 milhões de sacas a mais do que em 2025/2026.
Espera-se que a produção do Vietnã, o segundo maior produtor do mundo, mantenha-se em níveis satisfatórios. A safra de 2026/2027, que ocorre de outubro a setembro, deve alcançar 31 milhões de sacas, mantendo-se no mesmo patamar da safra anterior.
Com a expectativa de uma colheita recorde no Brasil, o mercado deverá vivenciar uma alteração significativa no equilíbrio da oferta global. Os analistas preveem um excedente de 8,7 milhões de sacas em 2026/2027, em comparação a um excedente de 1 milhão de sacas em 2025/2026.
Apesar da previsão de melhoria na disponibilidade de café, os participantes da pesquisa identificam potenciais ameaças à dinâmica do mercado.
De acordo com eles, o Brasil ainda não superou o inverno, e o risco de geadas nos cafezais pode alterar a trajetória do mercado.
A guerra entre os EUA e Israel com o Irã também pode causar impacto.
“A situação no Oriente Médio pode afetar o setor cafeeiro de diversas maneiras, desde os preços dos fertilizantes até os custos de transporte e torrefação”, disse Carlos Mera, analista-chefe de café do Rabobank.
“Entretanto, muitas outras commodities sentirão um efeito mais imediato, e não prevemos que os cafeicultores reduzam o uso de fertilizantes, uma vez que os preços do café estão bem acima dos custos de produção”, acrescentou.











