A realização de lucros antes do feriado nos EUA impactou o mercado em Nova York, mas o atraso na colheita no Brasil continua a dar suporte ao setor.
Os preços do café fecharam a quinta-feira (2) com comportamento misto nas bolsas internacionais. Após uma significativa valorização nas semanas anteriores, o mercado do arábica passou por um movimento de realização de lucros na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), enquanto o robusta conseguiu manter ganhos modestos na ICE Europe, em Londres.
Na Bolsa de Nova York, o contrato setembro/26 do café arábica terminou cotado a 301,20 cents de dólar por libra-peso, apresentando uma queda de 870 pontos. O vencimento dezembro/26 encerrou a 286,30 cents/lbp, recuando 855 pontos.
Em Londres, o contrato setembro/26 do café robusta foi negociado a US$ 3.783 por tonelada, com uma alta de 12 pontos. O vencimento novembro/26 fechou a US$ 3.745 por tonelada, registrando um avanço de 19 pontos.
O dia começou sustentado pelos mesmos fundamentos que impulsionaram a forte recuperação das últimas semanas, especialmente o atraso da colheita brasileira devido às chuvas e as preocupações com a qualidade dos grãos. Contudo, ao longo da sessão, investidores decidiram realizar lucros e reduzir posições compradas antes do feriado prolongado da Independência dos Estados Unidos, quando as bolsas norte-americanas estarão fechadas nesta sexta-feira (3). Esse movimento acabou pressionando os contratos do arábica.
Apesar da correção em Nova York, os fundamentos de oferta continuam a sustentar o mercado. As chuvas acima da média continuam atrasando a colheita nas principais regiões produtoras do Brasil. De acordo com a Somar Meteorologia, Minas Gerais, o maior estado produtor de café arábica do país, acumulou 31,3 milímetros de chuva na semana encerrada em 28 de junho, volume que corresponde a quase vinte vezes a média histórica para o período. O excesso de umidade dificulta a colheita, compromete a secagem dos grãos e aumenta as preocupações com a qualidade da safra.
Além das questões climáticas, o mercado também está monitorando os possíveis impactos de um episódio de El Niño sobre a próxima florada brasileira. Analistas internacionais apontam que o fenômeno pode atrasar o retorno das chuvas entre setembro e outubro, um período crítico para a formação da safra de 2027, o que mantém parte dos investidores cautelosos mesmo diante da realização técnica observada nesta sessão.
No mercado brasileiro, a comercialização continua lenta. Segundo informações do Sistema CNA/Senar, as chuvas seguem comprometendo o avanço da colheita do café arábica em importantes regiões produtoras, especialmente em Minas Gerais, reduzindo a oferta imediata e fazendo com que muitos produtores priorizem os trabalhos no campo antes de intensificar as vendas. Esse atraso também gera preocupações com perdas de qualidade e pode impactar o ritmo dos embarques nas próximas semanas.
Enquanto o mercado acompanha os fundamentos da safra, o café especial brasileiro também ganhou destaque no cenário internacional. A Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) estima que os negócios gerados durante a participação do Brasil na feira World of Coffee Geneva 2026, na Suíça, podem alcançar US$ 252 milhões nos próximos 12 meses. O resultado reforça a crescente demanda pelos cafés especiais brasileiros e consolida o país como um dos principais fornecedores desse segmento para o mercado europeu.








