No Brasil, o ambiente de negócios está lento, com os cafeicultores adotando uma postura cautelosa e aguardando um cenário mais claro para retomar as vendas.
Os contratos futuros do café arábica negociados na Bolsa de Nova York encerraram a sessão desta terça-feira (11) próximos da estabilidade, após um dia marcado por forte volatilidade. O mercado chegou a registrar altas superiores a 4% no início do dia, impulsionado por preocupações acerca dos possíveis efeitos do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia e diversas regiões produtoras de café, mas perdeu força ao longo da sessão.
Nos principais contratos, os futuros do arábica fecharam com ganhos que variaram de 175 a 345 pontos, com o dezembro a 315,70 e o março a 306,70 cents de dólar por libra-peso. Durante o dia, o contrato de dezembro chegou a se aproximar dos 330 centavos, mas acabou perdendo impulso.
Esse movimento refletiu um mercado dividido por diferentes fatores.
Por um lado, o terremoto suscita preocupações sobre a oferta colombiana, especialmente porque regiões produtivas importantes foram afetadas. A FNC (Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia) informou que muitas operações foram temporariamente suspensas devido aos danos nas estruturas logísticas, de distribuição e beneficiamento, resultantes do tremor, que foi um dos mais severos dos últimos anos.
O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, declarou que estará a caminho da região nas próximas horas, após ter decretado estado de calamidade no país.
No entanto, até o momento, não há estimativas concretas sobre as perdas na produção colombiana. Essa falta de dados mais precisos ajuda a explicar a devolução de parte dos ganhos registrados no início da sessão.
Simultaneamente, as condições climáticas no Brasil voltaram a ser um foco nas negociações. As previsões de temperaturas elevadas e tempo seco em áreas produtoras importantes aumentam a atenção dos agentes em relação às condições das lavouras e ao potencial da próxima safra.
Embora o tempo seco beneficie a fase final da colheita, “também pode impactar a próxima safra, pois pode antecipar a florada se houver chuvas”, explica Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria.
O cenário climático é particularmente monitorado neste momento, uma vez que o mercado já vinha lidando com preocupações sobre o desenvolvimento da safra brasileira de 2027. Assim, qualquer sinal de estresse devido ao calor excessivo pode novamente adicionar um prêmio de risco aos contratos em Nova York.
Por outro lado, o avanço da colheita da safra atual e a necessidade de avaliar os reais efeitos do clima sobre a próxima produção impedem que as preocupações climáticas, isoladamente, sustentem uma alta mais consistente.
Um fator limitante para os ganhos em Nova York foi a alta do dólar nesta terça-feira. A moeda americana subiu pouco mais de 1%, superando novamente os R$ 5,10 e, com certa intensidade, impactou os futuros do arábica na bolsa norte-americana.
ESTABILIDADE DOS PREÇOS NO BRASIL
Entretanto, a combinação de um câmbio mais valorizado e a volatilidade em Nova York ainda foi suficiente para provocar uma mudança significativa nos preços praticados no mercado físico.
A conjunção de incertezas externas, forte oscilação dos futuros e um câmbio mais firme mantém produtores e compradores cautelosos antes de tomar novas decisões. Essa postura mais reservada dos vendedores já era observada no início da semana, com poucos negócios ocorrendo no mercado físico. A referência brasileira, portanto, continua buscando uma direção mais clara, influenciada pelo comportamento de Nova York, pela cotação do dólar e pelas novas informações sobre o clima.
“Um grande número de produtores está recusando as bases de preço oferecidas pelos compradores. Eles estão adiando as vendas, à espera de um panorama mais claro para os próximos meses. Vendem apenas o necessário para atender aos compromissos mais imediatos”, explica Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes.








