No Brasil, os últimos dias foram marcados por boas oportunidades de negócios, mas o mercado acabou se retraindo.
O mercado de café vivenciou mais uma sessão de intensa volatilidade na Bolsa de Nova Iorque nesta quarta-feira (19), com os futuros do arábica apresentando desempenho negativo. O dia concluiu com perdas superiores a 1% nos contratos mais negociados, refletindo uma realização de lucros após a forte alta da sessão anterior, onde os preços subiram mais de 4% e atingiram máximas em seis meses, mantendo, no entanto, atenção aos fundamentos do mercado.
Além disso, o mercado se comportou de forma contrária a todas as outras commodities agrícolas, que tiveram uma forte alta nesta quarta-feira, impulsionadas por um aumento do apetite ao risco e fundamentos próprios. Assim, o contrato para setembro perdeu 1,2%, encerrando o dia a 359,15 cents por libra-peso, enquanto o contrato março/27 caiu 1%, fechando a 314,75 centavos de dólar por libra-peso.
Os preços também foram influenciados pelos dados sobre o avanço da colheita de café na região da Cooxupé, que apresentou progresso devido a condições climáticas mais favoráveis, apesar da incerteza climática que ainda pesa sobre as principais regiões produtoras do Brasil. A área colhida atingiu 81,1%.
“As chuvas têm prejudicado os trabalhos de campo e impactado a qualidade dos grãos, especialmente a bebida. Pesquisadores do Cepea destacam que essa situação pode limitar, ao longo da temporada, o ritmo de disponibilização de café para exportação, especialmente em função dos problemas de qualidade”, informou a instituição em um comunicado nesta quarta.
Os estoques baixos na ICE continuam sendo monitorados pelos traders e atuam como um fator limitante das perdas em Nova Iorque. Os níveis atuais são os mais baixos em quase três anos. Juntamente com os estoques, o fluxo parcialmente interrompido de escoamento de café na Colômbia, após o terremoto que ocorreu há pouco mais de uma semana, desempenha um papel similar.
“A Colômbia recomeçou parcialmente as exportações de café pelo porto de Buenaventura, que é responsável pela maior parte do comércio internacional. No entanto, o tráfego portuário ainda é intermitente e limitado. Segundo a reportagem, o terremoto não causou danos significativos às instalações de processamento e beneficiamento de café, de acordo com os exportadores”, informou o portal internacional Barchart.
NO BRASIL
No Brasil, os preços também passaram por uma leve correção, acompanhando as quedas do mercado internacional e a desvalorização do dólar em relação ao real nesta quarta-feira. Esse movimento resultou em mais um dia de negócios limitados no mercado nacional, com os cafeicultores mantendo-se cautelosos, não apenas na expectativa de preços melhores, mas também em razão das condições climáticas incertas.
O início da semana foi marcado por negócios um pouco mais intensos, impulsionados pela boa alta que os futuros apresentaram nas bolsas.
“Com a forte alta de segunda e terça-feira, houve mais transações, mas o volume ainda está abaixo do normal para esta época do ano-safra. As oscilações diárias acentuadas nos contratos de arábica na ICE americana continuam dificultando o fechamento de um número mais expressivo de negócios no mercado físico. Muitos produtores estão recusando as propostas de preço dos compradores, adiando vendas enquanto aguardam um cenário mais claro para os próximos meses”, afirma Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes.








