Atualizado em: 02/09/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.600,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.300,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 960,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1.000,00
Atualizado em: 02/09/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.600,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.300,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 960,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1.000,00
Café tenta estabilizar após forte queda da semana, mas oferta brasileira...

Café busca se recuperar após queda acentuada na semana, mas a oferta do Brasil…

O mercado futuro do café fechou a sexta-feira (4) em busca de estabilização após uma semana marcada por intensa pressão sobre os preços. Em Nova York, o contrato de dezembro do arábica voltou a operar acima das mínimas registradas na sessão anterior, encerrando o dia cotado a 295,60 centavos de dólar por libra-peso, com uma leve alta de 25 pontos. Já o contrato de março subiu 235 pontos, finalizando a jornada com 287,40 cents/lb.

No entanto, o movimento dessa sexta-feira não foi suficiente para mudar de maneira significativa o cenário baixista que tem predominado no mercado. A expectativa de maior disponibilidade de café brasileiro continua a influenciar as cotações, enquanto o mercado começa a absorver os volumes da safra 2026/27 de forma mais efetiva.

Essa leitura está em linha com a análise de Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria, que concedeu uma entrevista ao Notícias Agrícolas durante o Bom Dia Agronegócio desta sexta. De acordo com o especialista, a pressão nos preços surgiu com certo atraso, já que a safra brasileira, apesar de promissora em volume, demorou a chegar aos portos e a ser embarcada.

Conforme Bonfá, com a colheita quase finalizada — restando apenas uma pequena quantidade de arábica — os armazéns no Brasil começam a sentir os efeitos da concentração da oferta. Algumas unidades já estão limitando ou até interrompendo a recepção de novas cargas devido à falta de espaço. Para o consultor, esse movimento é um indicativo importante de que a safra brasileira foi boa ou até excelente em volume.

O ponto central para Bonfá é que o mercado agora precisa absorver esse café. Os produtores necessitam comercializar parte da produção, enquanto a indústria, exportadores e importadores devem cumprir contratos e manter o fluxo de abastecimento.

Esse processo tende a manter os preços sob pressão, principalmente porque a curva futura já apontava valores inferiores aos do mercado físico. Segundo o consultor, o movimento atual representa a concretização de uma expectativa já embutida nos preços há algum tempo: uma safra brasileira maior implica em mais oferta e, consequentemente, maior necessidade de escoamento.

Ao mesmo tempo, Bonfá ressalta que volume não significa necessariamente uma perda generalizada de valor. A qualidade continua a ser um diferencial importante. Cafés com melhores bebidas, grãos diferenciados, fermentados e certificados continuam a obter remuneração superior e, segundo o especialista, apresentam uma queda proporcionalmente menor nos preços.

Apesar da pressão gerada pela oferta brasileira, o mercado internacional ainda encontra suporte em estoques certificados bastante baixos. O portal internacional Barchart destaca que os estoques de arábica monitorados pela ICE atingiram níveis historicamente apertados, funcionando como um fator de sustentação para as cotações.

Esse é um dos aspectos que ajuda a explicar por que o mercado não aprofundou as perdas nesta sexta-feira. Após a forte correção dos últimos dias, os preços encontraram certo suporte e começaram a consolidar as perdas.

Ainda assim, a combinação entre a entrada da safra brasileira e uma perspectiva de oferta global mais confortável continua a ser o principal contraponto aos estoques reduzidos. O USDA projeta uma produção mundial de café de 189,7 milhões de sacas em 2026/27, um aumento de 6% em relação à temporada anterior, enquanto a produção brasileira está estimada em níveis recordes.

PRODUTOR PRECISA DE GESTÃO NA COMERCIALIZAÇÃO

Frente a esse cenário, a recomendação implícita na análise de Bonfá é que se preste atenção à gestão da comercialização. O produtor que ainda possui café não precisa interpretar a queda das bolsas como uma indicação de que perdeu todas as oportunidades, mas deve avaliar individualmente custos, qualidade, volume disponível e necessidade de caixa.

O consultor destaca a importância de escalonar as vendas e utilizar instrumentos de proteção de preços, especialmente em um mercado onde a curva futura permanece negativa. Segundo ele, o produtor brasileiro está cada vez mais preparado tecnicamente para administrar essas ferramentas.

Outro ponto a ser considerado é a nova florada brasileira. Algumas regiões já começam a mostrar os primeiros sinais, mas o resultado efetivo do pegamento das flores só deverá ser mais claro nos próximos meses. Esse será um componente crucial para definir as expectativas sobre a próxima safra e, consequentemente, sobre os preços.

Além dos fundamentos de oferta e demanda, a logística surge como outro fator importante para o mercado. Bonfá alerta para problemas relacionados à disponibilidade de contêineres e espaço em navios, justamente em um momento em que o Brasil poderá precisar aumentar significativamente suas exportações.

O consultor menciona estimativas de exportação brasileiras próximas de 49 milhões de sacas, contra cerca de 38 milhões no ano anterior. Isso representaria um aumento de aproximadamente 11 milhões de sacas a serem movimentadas, ampliando o desafio logístico.

Simultaneamente, problemas logísticos em outras origens podem abrir oportunidades para o café brasileiro. Com dificuldades de transporte em algumas rotas internacionais, o Brasil pode ganhar competitividade, desde que tenha café disponível, preços adequados e capacidade de embarque.

Portanto, embora o fechamento desta sexta-feira mostre uma tentativa de estabilização após a forte queda da semana, o mercado ainda enfrenta um cenário de ajuste à maior disponibilidade brasileira.

Para Bonfá, o produtor precisa olhar além da cotação da bolsa e considerar qualidade, logística, câmbio, momento de venda e oportunidades em diferentes mercados. Mesmo com preços mais contidos, o Brasil permanece em uma posição estratégica como principal fornecedor mundial e pode se beneficiar precisamente de sua capacidade de oferecer diferentes padrões e qualidades de café.

Assim, o momento é de pressão sobre os preços, mas também de necessidade de gestão. Com a safra chegando aos armazéns, a comercialização acelerando e a nova florada começando a surgir, o mercado passa a focar cada vez mais na capacidade de absorção dessa oferta e nos sinais que serão dados pela próxima safra brasileira.

Com a estabilidade das cotações em Nova York nesta sexta-feira (4), os preços do café no mercado brasileiro também registraram estabilidade. As cotações do cereja descascado quase não apresentaram oscilações. Entretanto, em Guaxupé/MG, enquanto as demais praças não sofreram variação, o preço subiu 2,04%, alcançando R$ 1749,00 por saca. No tipo 6 bebida dura, os preços variaram de R$ 1610,00 a R$ 1700,00 por saca.

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