A primeira Pesquisa Safra Café, lançada pelo Sistema Faemg Senar em Varginha, estimou em 33,4 milhões de sacas a produção de café arábica de Minas Gerais em 2026. A iniciativa busca ampliar a qualidade das informações disponíveis para produtores, cooperativas, empresas e instituições que planejam a atividade cafeeira.
O número é uma estimativa estadual e não substitui a cotação oficial exibida pelo Café Manhuaçu nem representa automaticamente o resultado de cada município. Para entender a realidade de Manhuaçu e da Zona da Mata, é necessário considerar as condições específicas de cada lavoura.
Como foi feita a Pesquisa Safra Café
O levantamento reuniu informações coletadas diretamente em 5.155 propriedades rurais distribuídas por 269 municípios. De acordo com o Sistema Faemg Senar, a amostra cobre cerca de 90% da produção de café arábica nas quatro regiões cafeeiras de Minas Gerais.
Os dados foram submetidos a uma metodologia estatística com respaldo científico da Universidade Federal de Lavras, por meio do Centro de Inteligência em Mercados. A proposta é construir uma série histórica baseada em observações de campo e informações fornecidas pelos produtores.
O que os dados mostram
Estimativa de 33,4 milhões de sacas
A previsão para 2026 é 1,8% superior à projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento em maio e 4,7% acima da estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística publicada em março. As instituições usam metodologias próprias; por isso, a comparação deve ser vista como complemento de informações, e não como disputa entre números.
Informações além do volume produzido
A pesquisa também considera área cultivada, produtividade, ritmo da colheita, volume já produzido, carga remanescente nas lavouras, condições climáticas e fitossanitárias e expectativas dos cafeicultores. Esse conjunto pode ajudar a interpretar melhor as diferenças entre previsão, produção efetivamente colhida e situação de cada região.
Por que um levantamento de campo é importante
Estimativas de safra influenciam decisões de compra, venda, armazenagem, logística, crédito e planejamento das propriedades. Quando os dados são associados a informações observadas diretamente no campo, o setor ganha uma referência adicional para avaliar produtividade, custos e riscos.
Para o produtor, o acompanhamento de indicadores pode apoiar decisões como revisar o manejo, melhorar a produtividade, controlar despesas ou avaliar investimentos. Os dados não substituem a gestão da propriedade, mas ajudam a reduzir decisões baseadas apenas em percepção ou em números gerais do mercado.
Impactos para a Zona da Mata e Manhuaçu
A pesquisa cobre municípios de diferentes regiões produtoras, mas a estimativa de Minas Gerais não deve ser aplicada automaticamente à Zona da Mata. O relevo, a altitude, a variedade plantada, o regime de chuvas, o estado fitossanitário e o nível tecnológico variam entre propriedades.
Em Manhuaçu e municípios vizinhos, o produtor pode usar a informação estadual como contexto e combinar esse panorama com seus próprios registros de área, produtividade, floradas, colheita e qualidade dos lotes. Esse acompanhamento local é especialmente importante em um ano marcado por mudanças climáticas e por diferentes ritmos de maturação.
Uma série histórica ainda está começando
Como esta é a primeira edição da Pesquisa Safra Café, ainda não existe uma série histórica própria do Sistema Faemg Senar para medir a evolução anual da produção. A expectativa é ampliar o levantamento nos próximos anos e, eventualmente, alcançar outros estados e espécies de café.
Por enquanto, o principal valor da iniciativa está em criar uma base de dados de campo e em complementar as estatísticas já produzidas por órgãos públicos. A leitura conjunta dessas fontes pode oferecer uma visão mais completa da cafeicultura mineira.
Fonte e contexto
A Pesquisa Safra Café foi lançada em 9 de setembro de 2026, no Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha. O Sistema Faemg Senar informou que o estudo também considera os desafios de ondas de calor, irregularidade das chuvas e precipitações durante a colheita.
O produtor pode complementar esse panorama com o artigo do Café Manhuaçu sobre El Niño, florada e sanidade do café, que trata dos riscos climáticos para a próxima safra.
Fonte consultada: Sistema Faemg Senar.










