Os preços do café continuaram a mostrar os robustos ganhos da sessão anterior, encerrando a terça-feira (18) com aumentos superiores a 4% na Bolsa de Nova Iorque. Dessa forma, o arábica alcançou sua maior cotação em mais de seis meses.
A lentidão na safra de café no Brasil está restringindo a oferta e elevando os preços. A consultoria Safras & Mercado reportou na última sexta-feira (14) que a colheita brasileira 2026/27 estava 90% finalizada até 12 de agosto, inferior aos 97% do ano anterior e à média de 94% dos últimos cinco anos. A colheita de arábica no Brasil estava 86% concluída, abaixo dos 95% registrados no ano passado.
Além disso, a redução dos estoques é um fator favorável para os preços do café arábica, com os estoques da ICE caindo para o menor nível em quase três anos, somando 229.214 sacas na terça-feira. Em contrapartida, o aumento dos estoques representa um desafio para o café robusta, já que os estoques da ICE atingiram o maior nível em 5,25 meses, totalizando 4.622 lotes na mesma data.
Os preços do café também foram impulsionados pelo devastador terremoto ocorrido na última segunda-feira na Colômbia, segundo maior produtor mundial de grãos de arábica. As áreas afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 incluíam as províncias produtoras de café de Caldas e Risaralda, que juntas representam cerca de um quarto da produção colombiana.
A Colômbia já retomou parcialmente as exportações de café pelo porto de Buenaventura, que é responsável pela maior parte do comércio internacional, de acordo com uma reportagem da Bloomberg publicada na última quinta-feira, que citou o presidente da Associação Colombiana de Exportadores de Café (Asoexport). Porém, o tráfego no porto ainda permanece intermitente e limitado. A reportagem também destaca que o terremoto não causou danos significativos às instalações de processamento e beneficiamento de café, conforme afirmado pelos exportadores.
A precipitação abaixo da média no Brasil deve acelerar a colheita de café no país, o que pode impactar negativamente os preços. A Somar Meteorologia informou nesta segunda-feira que apenas 0,6 mm de chuva, ou 11% da média histórica, caíram na semana encerrada em 16 de agosto em Minas Gerais, a principal região produtora de café arábica do país.
A preocupação com o fenômeno climático El Niño, que pode afetar a safra de café do Brasil no próximo ano, é mais um fator que pode favorecer a elevação dos preços. A empresa de comercialização de café, Commercial, indicou que o El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil durante setembro e outubro, período crítico para a floração das árvores, prejudicando a safra de café brasileira de 2026/27. Em 8 de julho, o Centro de Previsão Climática dos EUA afirmou que o El Niño, que se formou no Pacífico equatorial no mês anterior, deve ser um dos mais intensos dos últimos 75 anos. Isso pode gerar condições de inundações, secas e flutuações de temperatura ainda este ano, impactando a produção de café na Ásia e na América do Sul.
O expressivo aumento nas exportações de café do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, está pressionando os preços do café. Em 2 de agosto, o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã informou que as exportações de café do país no período de 2026 (janeiro a julho) cresceram 21,1% em relação ao ano anterior, totalizando 1,31 milhão de toneladas. As exportações vietnamitas de café em 2025 mostraram um aumento de 17,5% em comparação ao ano anterior, alcançando 1,58 milhão de toneladas. Ademais, a produção de café do Vietnã em 2025/26 deverá crescer 6% em relação ao ano anterior, atingindo o maior nível em quatro anos, com 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas).
A última previsão semestral do USDA foi pessimista em relação aos preços do café. Em 22 de julho, o USDA previu que a produção global de café na safra 2026/27 aumentará 6,0% (10,8 milhões de sacas), alcançando um recorde de 189,7 milhões de sacas, principalmente devido à melhoria das condições de cultivo no Brasil. O USDA espera que a produção global de arábica cresça 12% em comparação ao ano anterior, embora a produção de robusta deva cair 0,7% em relação ao ano passado. Os estoques mundiais finais devem crescer em 1,9 milhão de sacas, totalizando 26,3 milhões de sacas. Em 3 de junho, o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA previu uma safra recorde de café no Brasil para 2026/27 de 71,9 milhões de sacas, um aumento de 14% em relação ao ano anterior.








