O preço do café arábica e robusta apresenta uma forte queda nas bolsas nesta terça-feira, enquanto o mercado físico se mantém atento à colheita brasileira e aos estoques internacionais.
O mercado internacional de café fechou esta terça-feira (07) com uma queda significativa nas bolsas de Nova York e Londres. Esse movimento levou o arábica a níveis mínimos em três semanas e o robusta a patamares próximos das mínimas de oito meses, aumentando a volatilidade do setor.
Na Bolsa de Nova York, o café arábica registrou uma baixa acentuada. O contrato para maio/2026 terminou a 286,10 cents por libra-peso, com uma queda de 1.195 pontos; julho/2026 fechou a 281,30 cents, recuando 1.110 pontos; e setembro/2026 encerrou a 269,20 cents, com uma desvalorização de 1.015 pontos. Esse movimento reflete um ajuste agressivo por parte dos fundos, em resposta ao aumento das expectativas de oferta global.
Em Londres, o café robusta seguiu a tendência negativa. O contrato de maio/2026 fechou a 3.315 dólares por tonelada, com uma queda de 133 pontos; julho/2026 encerrou a 3.231 dólares, com uma baixa de 115 pontos; e setembro/2026 fechou a 3.161 dólares por tonelada, recuando 124 pontos, indicando uma liquidação generalizada entre os dois mercados.
A pressão sobre os preços foi ainda reforçada pela expectativa de que o mercado comece a se preparar para a entrada mais forte da safra brasileira nas próximas semanas. Analistas citados em um relatório da HedgePoint Global Markets destacam que, apesar dos estoques europeus estarem reduzidos, o fluxo esperado de café do Brasil e do Vietnã deve aliviar a disponibilidade no segundo semestre, o que incentiva a liquidação por parte dos fundos especulativos. Esse tipo de movimento técnico intensifica as quedas quando ocorrem mudanças na percepção sobre a oferta global.
Além disso, operadores reagiram a amplas projeções de produção mundial divulgadas em análises recentes, que indicam um aumento relevante na oferta, especialmente devido à recuperação produtiva no Brasil e no Sudeste Asiático. De acordo com avaliações de analistas do mercado internacional, a melhora climática nas principais regiões produtoras brasileiras, após períodos de preocupação com irregularidades nas chuvas, elevou o potencial produtivo e diminuiu o prêmio de risco que sustentava os preços.
Outro fator que contribuiu para o movimento negativo foi o comportamento dos fundos financeiros. Com a perspectiva crescente de um superávit global, gestores começaram a reduzir suas posições compradas em arábica e robusta, intensificando a pressão vendedora. Esse tipo de ação tende a ampliar as quedas em sessões específicas, especialmente quando ocorre simultaneamente nas bolsas de Nova York e Londres, como foi observado neste pregão.
Apesar desse cenário, o mercado recebeu sinais de suporte através da demanda. Um levantamento recente mencionado pela HedgePoint Global Markets apontou que os estoques de café na Europa caíram para o menor nível desde 2024, indicando um consumo ativo que limita quedas ainda mais acentuadas. Contudo, no curto prazo, essa informação perdeu força em função da expectativa de um maior fluxo de exportações do Brasil.
A volatilidade também foi afetada pelo ambiente macroeconômico e geopolítico. Tensões recentes no Oriente Médio aumentaram a aversão ao risco nos mercados financeiros globais, levando investidores a reduzirem a exposição em commodities agrícolas, incluindo o café. Esse tipo de ajuste geralmente provoca liquidações simultâneas e intensifica os movimentos negativos, especialmente quando combinado com fundamentos baixistas.
A leitura predominante entre analistas é de que o mercado está passando por uma mudança de narrativa. Até poucas semanas atrás, o foco estava na escassez e nos baixos estoques. Agora, o mercado começa a considerar uma oferta mais confortável com a safra brasileira, o que pressiona os contratos futuros. Mesmo assim, especialistas ressaltam que qualquer alteração climática durante a colheita ou problemas logísticos podem rapidamente mudar o cenário e trazer novas oscilações.
Assim, a queda expressiva desta terça-feira não foi causada por um único fator, mas por uma combinação de projeções de maior oferta global, melhorias climáticas no Brasil, ajustes técnicos dos fundos, um ambiente macroeconômico mais cauteloso e suporte limitado devido a estoques internacionais menores.











