Os contratos de café arábica e robusta apresentaram queda nas bolsas de Nova York e Londres, impulsionados por expectativas de produção recorde no Brasil.
O mercado futuro do café fechou a sessão desta segunda-feira (23) em baixa nas bolsas internacionais, pressionado por fundamentos negativos relacionados ao aumento da oferta global e à melhoria das condições climáticas no Brasil.
Na bolsa de Nova York, os contratos de café arábica registraram desvalorização nos principais vencimentos. O contrato para maio/26 encerrou a 306,50 cents de dólar por libra-peso, com uma queda de 2,75 pontos. O vencimento para julho/26 fechou a 299,50 cents, recuando 2,50 pontos, enquanto setembro/26 terminou a 286,70 cents, com perda de 3,25 pontos.
Em Londres, o café robusta também seguiu a tendência de queda. O contrato para maio de 2026 fechou a 3.637 dólares por tonelada, com uma redução de 27 dólares. O vencimento para julho de 2026 encerrou a 3.558 dólares, com um recuo de 10 dólares, e setembro de 2026 fechou a 3.486 dólares por tonelada, com uma baixa de 14 dólares.
A queda reflete, principalmente, a pressão gerada pela expectativa de aumento da produção brasileira. De acordo com a análise do especialista Rich Asplund, o mercado tem reagido ao cenário de safra robusta no Brasil, com projeções elevadas para o ciclo 2026/27. A consultoria StoneX aumentou sua estimativa de produção para um recorde de 75,3 milhões de sacas, reforçando a pressão baixista sobre os preços.
Além disso, as condições climáticas mais favoráveis têm diminuído as preocupações com a oferta. Chuvas recentes em Minas Gerais, a principal região produtora de arábica, contribuíram para o desenvolvimento das lavouras, o que também impacta as cotações.
Outro fator de pressão é o aumento dos estoques monitorados pela ICE, que atingiram níveis mais elevados nos últimos meses, ampliando a percepção de disponibilidade no mercado, especialmente para o arábica.
No cenário global, o crescimento da produção também contribui para a tendência negativa. O Rabobank prevê uma safra mundial recorde de café na temporada 2026/27, enquanto a produção do Vietnã, maior produtor de robusta, continua em crescimento, com exportações em alta, o que aumenta a oferta dessa variedade no mercado internacional.
Apesar disso, fatores pontuais ainda limitam quedas mais acentuadas. Dados recentes indicam uma diminuição nas exportações brasileiras em fevereiro, o que oferece algum suporte aos preços no curto prazo, embora não reverta a tendência predominante de pressão.
O fechamento desta segunda-feira reafirma o atual momento do mercado, caracterizado por um ajuste nas cotações diante de um cenário mais confortável de oferta, especialmente com o aumento das expectativas para a próxima safra brasileira.










