O café teve mais uma sessão de valorização na Bolsa de Nova Iorque nesta quarta-feira (12). Os principais contratos encerraram o dia com ganhos de 375 a 435 pontos, com o vencimento de dezembro a 319,95 e março a 310,05 cents de dólar por libra-peso.
Esse movimento intensificou os receios sobre possíveis interrupções na oferta e na logística de exportação da Colômbia, um dos principais fornecedores globais de cafés arábica, após o forte terremoto que atingiu o país na última segunda-feira (10). O tremor foi um dos mais intensos dos últimos anos e impactou diretamente a região produtora de café colombiana.
Os danos chegaram a afetar, pelo menos, um quarto das áreas de produção na Colômbia e, além das consequências para a infraestrutura, os efeitos sobre a logística aumentaram a cautela entre os participantes do mercado. Segundo informações do portal internacional Barchart, a empresa de transporte marítimo Maersk comunicou que as operações no terminal de Buenaventura, o principal ponto de saída das exportações de café da Colômbia, foram temporariamente suspensas. O fechamento de estradas e as restrições ao tráfego também podem dificultar o transporte das cargas no interior do país.
Além da situação na Colômbia, o mercado encontra suporte nos estoques certificados de arábica monitorados pela ICE, que continuam bastante ajustados. Os volumes caíram para 240.285 sacas, o menor nível registrado em cerca de dois anos e nove meses, conforme dados coletados pelo Barchart, adicionando um componente de aperto à oferta disponível a curto prazo.
No Brasil, outro aspecto observado pelos agentes do mercado é o ritmo da colheita. De acordo com dados da Cooxupé, os trabalhos atingiram 74,6% da área até 7 de agosto, abaixo dos 80,4% registrados no mesmo período do ano passado. O avanço mais lento da colheita contribui para limitar a disponibilidade imediata de café no mercado.
Por outro lado, a previsão de chuvas abaixo da média em Minas Gerais pode possibilitar uma aceleração nos trabalhos nas próximas semanas, o que representa um fator de pressão sobre os preços.
O mercado continua atento às condições climáticas para a próxima safra brasileira. A possibilidade de atuação do fenômeno El Niño aumenta as preocupações para o período de florada, especialmente entre setembro e outubro, quando a distribuição das chuvas será crucial para o desenvolvimento das lavouras.
PREÇOS SOBEM TAMBÉM NO BRASIL
Com as altas em Nova York e com o dólar valorizado em relação ao real, os preços do café também aumentaram no mercado brasileiro.
Para o tipo 6 bebida corrida, os ganhos variaram de 0,5% a 2,2% entre algumas das principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. As referências variam de R$ 1780,00 a R$ 1870,00 por saca. Já para o cereja descascado, as altas foram superiores a 1%, levando a referência em Guaxupé a R$ 1890,00 e em Varginha a R$ 1950,00 por saca.
“O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com grande interesse de compra para todos os padrões de café”, afirmou Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Cavalhaes. “Um número significativo de produtores recusa as bases de preço propostas pelos compradores. Eles adiam vendas, aguardando um cenário mais claro para os próximos meses, vendendo apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos”.








