O mercado ajusta suas posições após a recente alta, com a cotação do câmbio e a oferta no Brasil ainda sendo monitoradas pelos produtores.
Nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, o mercado de café começou as negociações com um desempenho misto nas principais bolsas internacionais, refletindo um ajuste após a valorização observada no dia anterior.
Na bolsa de Nova York, o café arábica abriu em leve queda. O contrato para maio/26 estava sendo negociado a 296,45 centavos de dólar por libra-peso, apresentando um recuo de 190 pontos. O contrato de julho/26 caiu 165 pontos, para 289,15 centavos/lb, enquanto o de setembro/26 recuou 125 pontos, cotado a 276,85 centavos/lb.
Por outro lado, o café robusta, negociado em Londres, iniciou o dia em alta. O contrato para maio/26 era cotado a US$ 3.529 por tonelada, com um avanço de 36 pontos. O contrato de julho/26 subiu 28 pontos, para US$ 3.433, e o de setembro/26 também avançou 28 pontos, sendo negociado a US$ 3.368 por tonelada.
Esse movimento reflete um mercado ainda em processo de ajuste após a valorização do dia anterior. Na terça-feira, os contratos tiveram uma alta significativa, impulsionada, entre outros fatores, pela valorização do real em relação ao dólar, o que tende a diminuir o interesse de venda por parte dos produtores brasileiros e sustentar as cotações externas.
Na abertura desta quarta-feira, parte desses ganhos é devolvida no arábica, enquanto o robusta encontra suporte, mantendo a volatilidade entre as duas bolsas.
Dados recentes também indicam uma leve diminuição nos estoques certificados de arábica na ICE, o que mantém o mercado atento à disponibilidade no curto prazo, mesmo com a expectativa mais ampla de aumento de oferta.
No Brasil, o mercado físico apresenta comportamentos distintos. De acordo com informações do Escritório Carvalhaes, o arábica mostra um ritmo de negócios mais lento, enquanto o conilon mantém um volume de comercialização mais elevado, com um interesse comprador ativo para diferentes padrões.
Em relação ao clima, as previsões indicam o retorno das chuvas em áreas produtoras do Sudeste, com volumes mais concentrados entre São Paulo e sul de Minas Gerais nos próximos dias. Esse cenário pode impactar o andamento final da safra, mantendo os agentes atentos às condições das lavouras.
Para o produtor rural, o início do mês traz um cenário de vigilância. O mercado continua dividido entre um suporte pontual, oriundo de fatores como câmbio e estoques, e a pressão estrutural ligada à expectativa de uma safra maior no Brasil, o que mantém a volatilidade elevada e exige uma estratégia cuidadosa na comercialização.











