Atualizado em: 20/10/2025 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 2.150,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.650,00 Conilon tipo 7: R$ 1.350,00
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Café oscila nas bolsas, mas a pressão da colheita brasileira ainda coloca os preços em risco e…

A recuperação técnica após a recente queda não altera o panorama geral, que é marcado pelo avanço da colheita, aumento da oferta e uma postura mais cautelosa dos produtores diante da volatilidade.

O mercado futuro do café encerrou a quarta-feira (8) em alta nas bolsas internacionais, mostrando um movimento de recuperação técnica após as perdas significativas do dia anterior, embora ainda esteja sob a forte influência de fatores baixistas relacionados ao avanço da safra brasileira e à expectativa de maior oferta global.

Na bolsa de Nova York, o arábica também apresentou recuperação, com o contrato para maio/26 fechando a 294,05 cents/lb, alta de 795 pontos; o julho/26 a 289,30 cents/lb, com um aumento de 800 pontos; e o setembro/26 a 275,95 cents/lb, subindo 675 pontos. Em Londres, o robusta registrou valorização nos principais contratos, com o maio/26 a US$ 3.328 por tonelada, alta de 13 pontos; o julho/26 a US$ 3.256 por tonelada, avanço de 25 pontos; e o setembro/26 a US$ 3.188 por tonelada, ganho de 27 pontos. 

Apesar do fechamento positivo, o cenário estrutural do mercado continua pressionado. As cotações haviam caído fortemente no dia anterior, alcançando os níveis mais baixos em cerca de um mês, reflexo direto da expectativa de uma safra maior no Brasil, especialmente de arábica, e da proximidade do início da colheita, que naturalmente aumenta a oferta disponível e pressiona os preços. Esse fator continua sendo o principal limitador para altas mais consistentes.

No robusta, o início da colheita do conilon no Brasil já começa a afetar o mercado físico, aumentando a disponibilidade e diminuindo a resistência dos produtores à venda. Segundo a Safras & Mercado, os preços do conilon vêm apresentando quedas nos últimos dias, com o tipo 7/8 no Espírito Santo caindo para a faixa de R$ 880 por saca, bem abaixo dos níveis observados semanas atrás, refletindo essa entrada de oferta.

No mercado físico de arábica, o comportamento também foi de retração, com negociações paralisadas e produtores mais defensivos diante da volatilidade. Conforme a Safras & Mercado, houve desvalorizações médias de até R$ 90 por saca no curto prazo, o que diminuiu a liquidez nas principais praças e levou os compradores a atuarem de forma pontual, muitas vezes trabalhando de forma imediata.

Externamente, fatores macroeconômicos continuam a ser monitorados e ajudam a explicar a recuperação desta quarta-feira. A valorização do real em relação ao dólar tende a dar suporte às cotações em Nova York, segundo análises do mercado internacional, ao reduzir o incentivo às exportações brasileiras e equilibrar parcialmente a pressão de oferta. No entanto, o ambiente global permanece sensível, com aumento da aversão ao risco devido a tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, o que impacta diretamente o posicionamento dos fundos nas commodities.

Outro ponto importante é a expectativa de melhora na oferta global, não apenas do Brasil, mas também com a chegada da safra de robusta da Indonésia, o que acentua a pressão sobre os preços no médio prazo. Esse conjunto de fatores mantém o mercado em um equilíbrio delicado entre recuperação técnica e fundamentos ainda negativos.

O fechamento em alta traz algum alívio no curto prazo, mas o cenário exige cautela. A combinação entre o avanço da colheita, o aumento da oferta global e a instabilidade macroeconômica deve continuar a gerar volatilidade nas cotações, com os movimentos de recuperação sendo, pelo menos por ora, mais técnicos do que sustentados por mudanças estruturais no mercado.
 

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