Embora o Vietnã seja o país mais competitivo, as margens devem permanecer positivas para os produtores brasileiros, mesmo que distantes dos picos históricos.
A produção de café conilon/robusta inicia o primeiro trimestre de 2026 em meio a cenários diversos. Enquanto o Vietnã, o maior produtor, se prepara para uma safra recorde, com exportações projetadas acima de US$ 8 bilhões neste ano, o Brasil enfrenta desafios em relação à competitividade no mercado global e à demanda interna.
O Vietnã está entrando no período de pico da colheita da safra 2025-2026, com uma produção estimada para crescer cerca de 10% em comparação ao ano anterior, alcançando quase 1,85 milhão de toneladas.
“Desde dezembro de 2025, o mercado internacional tem sido abastecido pelas safras do Vietnã e da Indonésia, com essa produção se intensificando no início deste ano. Como resultado, no Brasil, a competitividade em termos de preço tem limitado as exportações, direcionando a maior parte da produção de conilon para as indústrias de torrefação e moagem no mercado interno”, explicou Marcus Magalhães, diretor executivo da MM Cafés.
Apesar de algumas compensações em certas regiões, Magalhães observa que a produção de conilon no Brasil em 2026 deve permanecer similar à do ano passado. “O alto volume colhido no ano anterior pode ter debilitado as lavouras mais antigas”, acrescentou.
Pesquisadores do Cepea relatam que as chuvas intensas em áreas mais ao norte do Espírito Santo geram preocupações, uma vez que alguns talhões foram alagados e a incidência de doenças pode aumentar.
Com a safra de arábica ainda se recuperando dos efeitos climáticos e sem a expectativa de uma “supersafra” desta variedade para este ano no Brasil, o diferencial de preço em relação ao conilon/robusta se tornou mais acentuado. “Acredito que continuaremos a trabalhar com margens positivas para os produtores, mas distantes dos picos históricos e das margens que observamos em 2024 e 2025. O café conilon brasileiro em 2026 terá um destino mais voltado para o mercado interno, com indústrias e algumas marcas incorporando mais conilon em seus blends, como já estão fazendo. Os preços aqui estão mais competitivos em comparação às exportações. Contudo, se surgir uma janela de oportunidade, o Brasil certamente aproveitará para colocar uma quantidade significativa de conilon no mercado internacional”, afirma Magalhães.
Fonte:
Notícias Agrícolas











