Por Oliver Griffin e Roberto Samora
SÃO PAULO, 25 Fev (Reuters) – As exportações de café do Brasil para a temporada 2026/27 (julho/junho) podem alcançar um recorde histórico próximo a 47 milhões de sacas de 60 kg, impulsionadas por uma produção excepcional no país e pela necessidade de reposição dos estoques pelos importadores, conforme análise da consultoria Hedgepoint Global Markets, divulgada nesta quarta-feira.
Segundo os cálculos da empresa especializada em análises e gestão de riscos, o Brasil poderá aumentar suas exportações totais de café para um intervalo entre 45,5 milhões e 46,8 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, devido a uma oferta ampliada de grãos arábica.
O volume previsto supera as 42 milhões de sacas exportadas na temporada 2025/26, representando um crescimento anual de 8,3% no cenário mais conservador e de 11,4% no cenário otimista.
“Acreditamos que com a oferta maior no Brasil e a pressão nos preços do café… isso levará a uma certa recuperação nos países consumidores, que deverão importar mais café para reabastecer seus estoques de maneira geral. Portanto, esperamos um aumento nas exportações do Brasil, possivelmente atingindo recordes”, afirmou a analista Laleska Moda, da Hedgepoint, durante entrevista a jornalistas.
A exportação de café arábica é projetada entre 36,7 milhões e 37,8 milhões de sacas em 2026/27, acima das 32,5 milhões do ciclo atual. Por outro lado, a exportação de canéfora (conilon/robusta) deve variar entre 8,8 milhões e 9,0 milhões de sacas, em comparação às 9,5 milhões na temporada 2025/26.
No cenário mais favorável, as exportações totais de 2026/27 superariam o recorde anterior de 46 milhões de sacas, registrado em 2023/24, com um aumento positivo de 0,8 milhão de sacas. No cenário pessimista, o volume ficaria 0,5 milhão de sacas abaixo do recorde.
A safra de café arábica no Brasil para 2026/27 deve girar entre 46,5 milhões e 49 milhões de sacas de 60 kg, em comparação com 37,7 milhões no ciclo anterior, de acordo com um relatório da Hedgepoint.
A produção de canéfora, por sua vez, está estimada entre 24,6 milhões e 25,4 milhões de sacas, o que, na melhor das hipóteses, elevaria a safra total para 74,4 milhões de sacas.
No início deste mês, a Conab projetou a produção de arábica para a safra em um pouco mais de 44 milhões de sacas, além de prever uma safra total recorde de café — incluindo variedades canéforas — de 66,2 milhões de sacas.
A previsão da Hedgepoint para a produção de cafés canéforas também superou a estimativa da Conab, que havia previsto 22,1 milhões de sacas.
Em escala global, a Hedgepoint antecipa uma produção de café em torno de 188 milhões de sacas no ano de 2026/27, enquanto a demanda deverá ficar em aproximadamente 181 milhões de sacas.
À medida que o ano avança, a Hedgepoint monitorará os potenciais riscos climáticos, informou a analista.
A colheita de café canéfora começa em abril, enquanto a de arábica inicia em maio.
(Reportagem de Oliver Griffin e Roberto Samora)











