Após Mônaco e Paris, a Lacoste acaba de abrir seu primeiro café na América Latina, e o local escolhido (nada por acaso) é São Paulo. Ao lado da boutique da marca no Shopping Cidade Jardim, o espaço opera como um café-restaurante durante todo o dia.
O cardápio mescla referências francesas com criações inspiradas no próprio repertório da marca, como os sanduíches “croc” e os polo cakes, que são doces inspirados na clássica camisa polo da Lacoste.
As bebidas também desempenham um papel importante no menu, incluindo cafés, smoothies e opções funcionais, com cúrcuma, spirulina ou colágeno. Tudo é servido em porcelanas de Limoges, para alinhar-se à tradição francesa da marca.
No design, há referências à atmosfera de Roland-Garros: o verde característico da Lacoste, com alusão às quadras de saibro e ao branco da camisa polo, um dos símbolos da marca.
A chegada ao Brasil expande a estratégia de transformar a identidade da grife em uma experiência que vai além das roupas. A marca francesa inaugurou seu primeiro café permanente em Mônaco, em 2025, no Le Méridien Beach Plaza. Em seguida, trouxe o conceito para Paris, onde abriu uma unidade de 100 m² e 65 lugares próxima à flagship da marca na Champs-Élysées.
Cafés fashion pelo mundo
A Lacoste não está sozinha nesse movimento. Nos últimos anos, marcas de moda e luxo têm explorado um território que antes parecia distante de suas boutiques: o da gastronomia e da hospitalidade. Cafés, restaurantes, confeitarias e bares funcionam como extensões físicas das grifes, conectando seus códigos visuais, sua história e seu estilo de vida a um público que nem sempre chega pela moda.
A Louis Vuitton é um dos exemplos mais marcantes do momento. Em 2024, inaugurou o Le Café Louis Vuitton na 5ª Avenida, em Nova York, com uma estética maximalista inspirada em seus monogramas. O espaço se junta a outros estabelecimentos pelo mundo, de Paris a Saint-Tropez e Seul. Em Bangkok, o grandioso complexo LV The Place reúne loja, exposição imersiva, confeitaria (com doces elaborados pela cozinha de Alain Ducasse) e um restaurante dirigido pelo renomado chef Gaggan Anand.
A colaboração com grandes nomes da culinária, inclusive, se tornou a norma para atrair o público foodie. A Dior contratou a renomada chef Dominique Crenn para comandar seus cafés em Dallas e Beverly Hills, unindo a inspiração floral da maison à alta gastronomia. A Chanel já havia se associado a Alain Ducasse em Tóquio, enquanto o badalado The Blue Box Café, da Tiffany & Co. em Nova York, é operado por Daniel Boulud. A Gucci está colhendo os frutos de sua Gucci Osteria (com unidades em Florença e Beverly Hills), desenvolvida em parceria com o time de Massimo Bottura, que já rendeu estrelas Michelin.
A Prada atua no segmento tanto de forma definitiva – ao adquirir a histórica confeitaria milanesa Marchesi 1824 – quanto de maneira itinerante. A marca italiana promove pop-ups de cafeterias pelo mundo (atualmente com uma unidade em Singapura), reproduzindo nos ambientes o icônico piso xadrez em preto e branco e os sofás de veludo verde de sua primeira loja, aberta em 1913.
Independentemente da grife estampada na louça, fica cada vez mais evidente que moda e comida estão se entrelaçando no universo do lifestyle.








