Atualizado em: 20/10/2025 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 2.150,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.650,00 Conilon tipo 7: R$ 1.350,00
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O café está subindo a montanha. E o Brasil precisa correr atrás

O café está avançando montanha acima, e o Brasil precisa se apressar.

Com o aumento de eventos climáticos extremos, o panorama global da produção de café começa a se modificar. Regiões tradicionais enfrentam desafios crescentes, enquanto novas áreas se destacam na cafeicultura mundial.

O café, especialmente o arábica, é uma cultura extremamente sensível às condições climáticas. Temperaturas moderadas e chuvas bem distribuídas são essenciais para o adequado desenvolvimento das lavouras. Contudo, mais do que um aumento gradual na temperatura média, os eventos climáticos extremos, que se tornam cada vez mais frequentes e intensos, têm impactado diretamente os campos.

De acordo com o especialista Vicente Zotti, da NRP Agro, é essa instabilidade que está mudando o comportamento do agricultor. “Não é o aumento da temperatura média que está transformando o cenário, mas sim os eventos extremos, como geadas e irregularidade nas chuvas. Isso, de fato, leva o produtor a migrar para áreas com menos riscos”, afirma.

Casos recentes reforçam essa realidade. No último ciclo, perdas significativas foram registradas em regiões produtoras devido a geadas e eventos climáticos severos. Somente no sul de Minas Gerais, eventos como geadas e chuvas de granizo resultaram na perda de cerca de 3 milhões de sacas, evidenciando o impacto direto dessas ocorrências na produtividade.

Esse movimento tem provocado mudanças significativas no próprio Brasil. Regiões tradicionalmente cafeeiras perderam espaço ao longo do tempo, enquanto novas áreas estão se desenvolvendo. No interior de São Paulo, por exemplo, polos históricos como a região de Marília não têm mais o mesmo destaque, refletindo a maior exposição a riscos climáticos. Por outro lado, estados como Goiás estão se tornando mais relevantes, mesmo com temperaturas mais altas, por apresentarem menor risco de geadas.

Essa mudança indica que os critérios para a escolha das áreas produtivas estão sendo redefinidos. Se antes o foco estava nas condições ideais de temperatura, atualmente o produtor prioriza regiões com menor risco de perdas extremas, ainda que isso traga novos desafios de manejo.

Simultaneamente a essa reorganização interna, o mundo começa a explorar novas fronteiras para a produção de café. Regiões de maior altitude na África, áreas adjacentes ao Himalaia e até partes dos Estados Unidos estão sendo avaliadas como potenciais produtoras, impulsionadas pelas mudanças climáticas que aumentam a viabilidade dessas localidades.

Apesar desse movimento global, especialistas acreditam que o Brasil deve manter sua posição de liderança. Para Vicente Zotti, fatores estruturais dificultam o avanço de outros países em grande escala. “É bastante complicado para o Brasil perder seu protagonismo. Em regiões da África, por exemplo, existem limitações como acesso à terra e dificuldades de mecanização. Isso impede ganhos de escala”, explica.

Segundo ele, o cenário mais provável é o fortalecimento da posição brasileira, incluindo um avanço sobre outras variedades. “A tendência é que o Brasil amplie ainda mais sua liderança, tanto no arábica quanto no conilon, podendo se consolidar como o maior produtor em todas as frentes”, afirma.

Diante desse contexto, a adaptação no campo se torna cada vez mais crucial. Entre as principais estratégias adotadas pelos produtores está a ampliação da irrigação, que deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade.

“A irrigação deixou de ser um item de luxo para se tornar fundamental na produtividade”, destaca Zotti. Atualmente, cerca de 18% das áreas de café arábica no Brasil já contam com algum nível de irrigação, um número que deve crescer nos próximos anos. Em culturas como o conilon, em estados como o Espírito Santo, esse percentual já é significativamente maior.

Além da irrigação, práticas como o uso de sombreamento, ajustes no manejo e maior tecnificação estão sendo incorporadas para mitigar os impactos do estresse hídrico e térmico.

Neste cenário de transformação, o café realmente começa a subir a montanha, seja pela busca por áreas mais altas, seja pela necessidade de adaptação tecnológica. Para o Brasil, o desafio não é apenas acompanhar essa mudança, mas liderá-la, garantindo competitividade em um ambiente cada vez mais marcado pela instabilidade climática.

Para especialistas do setor, a questão central agora não é se o mapa da cafeicultura vai mudar, mas sim qual será o ritmo dessa mudança e quais produtores estarão mais preparados para responder a esse novo cenário.

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