As espécies de café canéfora, como conilon e robusta, estão se expandindo em Estados brasileiros que historicamente produzem pouco ou nada dessa variedade, à medida que os preços elevados despertam interesse, conforme afirmam líderes do setor, pesquisadores e autoridades.
O Brasil se destaca como o maior produtor mundial de café arábica, a variedade de sabor mais suave preferida pelas cafeterias. Atualmente, o país ocupa a posição de segundo maior produtor de café canéfora, uma variedade mais forte usada em espressos e café solúvel – mas está rapidamente se aproximando do Vietnã, que lidera a produção.
O Espírito Santo é responsável pela maior parte da produção de café canéfora no Brasil, especialmente do conilon. No entanto, desde 2020, a produção em Estados como Mato Grosso e Minas Gerais teve um crescimento significativo, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Indústria do café espera que tendência continue
O cultivo de canéfora fora de suas áreas tradicionais tem sido estimulado pelos altos preços, afirmou Ricardo Schneider, presidente do Centro do Comércio de Café de Minas Gerais, em entrevista.
“O cenário é favorável para que essa tendência persista”, destacou Schneider, mencionando o aumento da demanda por canéfora e a disponibilidade de espaço para plantio.
Especialistas indicam que a qualidade melhorou, o que ajudou a impulsionar a demanda.
Um ano atrás, os preços da canéfora — comercializada como robusta — alcançaram um recorde de US$5.849 por tonelada métrica.
Desde então, os preços diminuíram, mas ainda se mantêm altos em comparação com os níveis históricos. O arábica, o grão mais caro, também foi negociado a preços recordes no ano anterior e sofreu uma queda semelhante.
Embora Minas Gerais seja o principal produtor de arábica do Brasil, a produção de canéfora no Estado deve atingir 602.200 sacas de 60 kg em 2026, representando um aumento de 94% em relação a 2020, conforme dados da Conab.
Rondônia inspira Mato Grosso
Mato Grosso, um dos maiores Estados agrícolas do Brasil, conhecido por suas amplas plantações de soja e milho, está se inspirando em seu vizinho Rondônia, produtor do chamado “robusta amazônico”, na tentativa de aumentar a produção de café, afirmaram agrônomos à Reuters.
“Em média, a nossa produtividade é de 23 sacas por hectare. A produtividade em Rondônia é de 50 sacas por hectare. Nosso objetivo é que a nossa média chegue a esse nível”, disse Dalilhia Nazaré dos Santos, agrônoma da Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso (Empaer-MT). “Queremos que nossa média atinja esse patamar.”
A produção de canéfora em Mato Grosso deve alcançar 298.700 sacas este ano, segundo a Conab, um aumento em relação às 158.400 sacas de 2020.
Nos dados mais recentes da Conab sobre a safra, o Ceará está classificado como “outros” junto com o Acre e o Pará. A produção combinada desses Estados deve atingir 118.700 sacas em 2026, quase três vezes as 40.000 sacas produzidas pela categoria — que historicamente incluía outros Estados — em 2020.
O Ceará está explorando oportunidades potenciais para cultivar tanto o conilon quanto o robusta amazônico, uma variedade renomada cultivada em Rondônia, afirmou Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo de Agronegócios do Estado.
Localizado próximo a portos modernos e com infraestrutura de transporte, o Ceará se posiciona bem para se tornar uma importante região exportadora de café, acrescentou Lima.
“Esperamos que em 2026 tenhamos pelo menos mil hectares plantados de conilon”, disse ele, ressaltando que a área plantada pode chegar a 5.000 hectares. “Este é um momento propício para o café e o cultivo de café irrigado, e é isso que queremos trazer para cá.”











