Por Oliver Griffin
SÃO PAULO, 12 Fev (Reuters) – A produção de café canéfora, que inclui variedades como conilon e robusta, está se expandindo em Estados brasileiros que, historicamente, produzem pouco ou nenhum deste tipo de grão, impulsionada pelos altos preços, segundo especialistas do setor, acadêmicos e autoridades.
O Brasil é o maior produtor de café arábica no mundo, conhecido por seu sabor mais suave e preferido pelas cafeterias. Atualmente, o país ocupa a segunda posição na produção de café canéfora, uma variedade mais intensa utilizada em espressos e café solúvel, e está rapidamente se aproximando do Vietnã, que lidera essa categoria.
O Espírito Santo é responsável pela maior parte da produção de café canéfora no Brasil, especialmente do conilon. Entretanto, desde 2020, a produção em Estados como Mato Grosso e Minas Gerais aumentou consideravelmente, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
INDÚSTRIA DO CAFÉ ESPERA QUE TENDÊNCIA CONTINUE
O cultivo de canéfora fora de suas regiões tradicionais tem sido impulsionado pelos preços elevados, afirmou Ricardo Schneider, presidente do Centro do Comércio de Café de Minas Gerais, em entrevista.
“O cenário é favorável para que essa tendência continue”, comentou Schneider, mencionando a crescente demanda por canéfora e o espaço disponível para o cultivo.
Analistas indicam que a qualidade dos grãos melhorou, o que também contribuiu para a demanda.
Um ano atrás, os preços da canéfora, que é comercializada como robusta, chegaram a um recorde de US$5.849 por tonelada métrica.
Desde então, os preços diminuíram, mas ainda permanecem elevados em comparação com os níveis históricos. O arábica, o grão mais caro, também foi negociado a preços recordes no ano passado e enfrentou uma queda similar.
Embora Minas Gerais seja o maior produtor de arábica no Brasil, a produção de canéfora no Estado deve alcançar 602.200 sacas de 60 kg em 2026, representando um aumento de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.
RONDÔNIA INSPIRA O MATO GROSSO
Mato Grosso, um dos maiores Estados agrícolas do Brasil, famoso por suas amplas plantações de soja e milho, está se inspirando em seu vizinho Rondônia, que é conhecido pela produção do chamado “robusta amazônico”, na tentativa de aumentar sua produção de café, disseram agrônomos à Reuters.
“Nossa produtividade média é de 23 sacas por hectare. Em Rondônia, a produtividade chega a 50 sacas por hectare. Nosso objetivo é alcançar essa média”, afirmou Dalilhia Nazaré dos Santos, agrônoma da Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso (Empaer-MT). “Queremos que nossa média atinja esse patamar.”
A produção de canéfora em Mato Grosso deve totalizar 298.700 sacas este ano, de acordo com a Conab, um aumento em relação às 158.400 sacas registradas em 2020.
Nos dados mais recentes da Conab sobre a safra, o Ceará é classificado em “outros” junto com o Acre e o Pará. A produção combinada desses Estados deve alcançar 118.700 sacas em 2026, quase três vezes as 40.000 sacas produzidas pela categoria em 2020.
O Ceará está explorando oportunidades para cultivar tanto o conilon quanto o robusta amazônico, uma variedade renomada cultivada em Rondônia, disse Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo de Agronegócios do Estado.
O Ceará é estrategicamente localizado próximo a portos modernos e possui infraestrutura de transporte, o que o posiciona bem para se tornar uma importante área exportadora de café, ressaltou Lima.
“Esperamos que em 2026 tenhamos pelo menos mil hectares plantados de conilon”, afirmou ele, acrescentando que a área plantada pode chegar a 5.000 hectares. “Este é um bom momento para o café e para o cultivo de café irrigado, e é isso que estamos buscando trazer para cá.”











