As bolsas registram alta com o cenário externo, enquanto a média de preços no mercado físico apresenta queda e dificulta decisões no campo.
O mercado futuro do café iniciou esta quinta-feira (23) com valorização nas bolsas internacionais, refletindo um ambiente de maior cautela global em função das tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo. Entretanto, no Brasil, a situação continua mais pressionada devido à evolução da safra.
Na Bolsa de Nova York, o café arábica abriu em alta. O contrato para julho/26 está cotado a 293,05 cents/lb, com uma valorização de 390 pontos. O setembro/26 opera a 281,85 cents/lb, com um ganho de 345 pontos. Já o contrato de dezembro/26 é negociado a 273,25 cents/lb, apresentando uma alta de 305 pontos.
Na ICE Europa, o robusta também apresenta avanço. O contrato para maio/26 está cotado a US$ 3.613 por tonelada, com uma alta de 74 pontos. O julho/26 opera a US$ 3.439 por tonelada, com um ganho de 35 pontos. O setembro/26 sobe para US$ 3.354 por tonelada, com uma valorização de 26 pontos. Por fim, o novembro/26 aparece a US$ 3.282 por tonelada, com uma alta de 25 pontos.
O suporte externo é influenciado pelo aumento das tensões no Estreito de Ormuz, que mantém o petróleo em alta e eleva o nível de cautela nos mercados globais. Esse contexto tende a sustentar as commodities, incluindo o café, ao aumentar os custos logísticos e a percepção de risco.
Contudo, ao observar o mercado interno brasileiro, os fundamentos continuam a indicar pressão sobre os preços, especialmente no mercado físico. Dados do Cepea mostram que a média parcial de abril para o robusta tipo 6 no Espírito Santo está em R$ 903,90 por saca, o valor mais baixo desde março de 2024 em termos reais e mais de 11% inferior ao registrado em março deste ano.
Para o arábica, o indicador também revela uma queda. A média parcial em São Paulo está em torno de R$ 1.824,91 por saca, uma diminuição de cerca de 4,6% em relação a março, sendo o menor patamar desde julho de 2025.
De acordo com o Cepea, a pressão sobre os preços é resultado do avanço da colheita, que gradualmente aumenta a oferta disponível, especialmente para o robusta, cujo ritmo deve intensificar-se nas próximas semanas.
Esse movimento ajuda a esclarecer o descompasso entre as bolsas e o mercado interno. Enquanto o cenário externo sustenta as cotações, o produtor brasileiro enfrenta um ambiente mais desafiador, com preços pressionados e decisões de venda mais cautelosas.
Ademais, fatores macroeconômicos continuam a ser monitorados. A elevação dos preços do petróleo, junto a incertezas geopolíticas e indicadores econômicos globais, contribui para um ambiente mais volátil nas commodities.
A abertura desta quinta-feira revela um mercado dividido. De um lado, fatores externos favorecem os preços; do outro, a realidade da safra brasileira impõe limitações. Para o produtor, o momento requer estratégia, uma vez que a combinação entre uma bolsa firme e um mercado físico pressionado torna a decisão de comercialização ainda mais complexa.











