O café arábica e robusta inicia a sessão em alta, mas a pressão de uma safra abundante no Brasil mantém o mercado sensível e volátil
O mercado de café começa esta terça-feira, 28 de abril de 2026, em um movimento de recuperação nas bolsas internacionais, após as quedas significativas observadas na sessão anterior. A abertura sugere um ajuste técnico, mas ainda em um contexto de pressão estrutural devido à expectativa de uma oferta global maior, com o Brasil no foco das atenções.
Na ICE Futures US, o café arábica abre com valorização. O contrato para maio/2026 está cotado a 308.55 cents/lb, apresentando um ganho de 445 pontos e uma alta de 1,46%. O contrato para julho/2026 avança para 291.80 cents/lb, com um aumento de 330 pontos e 1,14%. O setembro/2026 se eleva para 281.55 cents/lb, com uma valorização de 275 pontos e 0,99%. O dezembro/2026 também mostra alta, sendo negociado a 273.50 cents/lb, com um ganho de 235 pontos e 0,87%.
Em Londres, o robusta segue a tendência positiva. O contrato para maio/2026 é negociado a 3.645 dólares por tonelada, com uma alta de 16 pontos e 0,44%. O julho/2026 sobe para 3.494 dólares por tonelada, com um ganho de 66 pontos e 1,93%. O setembro/2026 avança para 3.406 dólares por tonelada, com uma valorização de 62 pontos e 1,85%. O novembro/2026 também registra alta, cotado a 3.334 dólares por tonelada, com um ganho de 55 pontos e 1,68%.
Apesar da recuperação nesta abertura, o mercado permanece ancorado em fundamentos que limitam oscilações mais sustentadas de alta. O fator mais relevante continua sendo a expectativa de uma safra robusta no Brasil em 2026, que reposiciona o país como o principal vetor de oferta global e pressiona o sentimento dos investidores.
De acordo com o analista Marcelo Moreira, o mercado de café começa a se desvincular de fatores externos como câmbio e geopolítica, passando a acompanhar de forma mais direta o desenvolvimento da safra brasileira. Esse movimento ressalta a mudança de foco do mercado, que agora observa com maior atenção o progresso da colheita e o potencial produtivo.
Além disso, o comportamento dos agentes no Brasil também influencia a formação de preços. Mesmo com a recente queda nas bolsas, muitos produtores permanecem cautelosos nas vendas, o que ajuda a conter movimentos bruscos de baixa no curto prazo. No entanto, a chegada da nova safra tende a aumentar gradualmente a oferta disponível, o que pode manter o mercado pressionado nas próximas semanas.
No robusta, o cenário também é uma mistura de fatores técnicos e fundamentais. A alta nesta abertura ocorre após perdas recentes, mas o mercado ainda é impactado por uma oferta global mais confortável, incluindo o desempenho de países produtores asiáticos, que continuam ativos no comércio internacional.
A volatilidade permanece elevada, com o mercado alternando entre movimentos técnicos de recuperação e pressões estruturais relacionadas à oferta. O progresso da colheita no Brasil será crucial para definir a direção das cotações no curto prazo.











