Recuperação nas bolsas internacionais proporciona alívio, mas o progresso da colheita no Brasil segue limitando os ganhos e mantendo o mercado em estado de cautela.
O mercado de café fechou a terça-feira, 28 de abril de 2026, com uma recuperação nas bolsas internacionais, oferecendo algum suporte aos preços e ao sentimento do produtor brasileiro. Contudo, o avanço da safra no país continua a ser um fator restritivo para movimentos mais robustos de alta.
Na Bolsa de Nova York, o contrato de julho/26 do arábica encerrou em 290,70 cents/lb, com uma alta de 220 pontos. Para setembro/26, o mercado fechou em 280,60 cents/lb, com uma valorização de 180 pontos, enquanto o dezembro/26 fechou em 272,85 cents/lb, com uma alta de 170 pontos.
Em Londres, o robusta também apresentou valorização. O contrato de julho/26 fechou em 3.481 dólares por tonelada, com uma alta de 53 pontos. O setembro/26 encerrou em 3.392 dólares por tonelada, com uma valorização de 48 pontos, enquanto o novembro/26 fechou em 3.319 dólares por tonelada, com uma alta de 40 pontos.
O movimento positivo do dia foi impulsionado principalmente pela queda nos estoques certificados nas bolsas internacionais, que reabre preocupações sobre a disponibilidade global no curto prazo. Esse fator tende a proporcionar suporte aos preços, mesmo diante de um cenário de safra avançando no Brasil.
Internamente, o mercado físico continua apresentando características distintas entre os tipos de café. O arábica mantém um ritmo de negociações mais lento, refletindo a cautela dos produtores diante dos preços e da entrada gradual da nova safra. Já o conilon apresenta maior fluidez nos negócios, com uma demanda ativa para diferentes padrões.
A chegada da safra brasileira permanece como o principal vetor de pressão. Com a colheita acelerando nas próximas semanas, há uma expectativa natural de aumento na oferta, o que limita movimentos mais significativos de alta, mesmo quando o cenário externo oferece suporte.
Além disso, o comportamento do câmbio continua sendo crucial para a formação de preços no Brasil. Um real mais forte tende a diminuir a competitividade das exportações e pressionar as cotações internas em reais, impactando diretamente a decisão de venda dos produtores. Por outro lado, quando o dólar sobe, melhora a paridade de exportação e pode incentivar a comercialização.
De acordo com análise do especialista Jeremias Nascimento, o produtor brasileiro atualmente opera em um ambiente de margens mais apertadas e precisa equilibrar custo, produtividade e oportunidade de venda. O momento exige uma estratégia, especialmente em um mercado que oscila rapidamente entre fundamentos de suporte e pressão.
Na prática, o cenário atual revela um mercado dividido. De um lado, estoques mais baixos e preocupações com a oferta global ajudam a sustentar as bolsas. Do outro, a entrada da safra brasileira e o comportamento do câmbio seguem sendo fatores decisivos na formação de preços no país.











