Atualizado em: 10/06/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.320,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.100,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 870,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 910,00
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Café fecha em queda nas bolsas, mas estoques apertados e riscos climáticos...

Café encerra com desvalorização nas bolsas, mas com estoques limitados e ameaças climáticas…

A colheita no Brasil avança, pressionando os preços nas bolsas de Nova York e Londres, enquanto analistas alertam que o equilíbrio global entre oferta e demanda continua bastante apertado.

Os mercados futuros de café fecharam esta terça-feira (9) com queda nas bolsas internacionais, influenciados pelo progresso da colheita brasileira e pela expectativa de uma maior oferta nas próximas semanas. Mesmo com a redução dos preços, especialistas enfatizam que os fundamentos de longo prazo continuam sustentados por estoques globais reduzidos e incertezas climáticas para as próximas safras.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o café arábica encerrou a sessão com perdas. O contrato setembro/26, que serve como referência para o mercado, fechou cotado a 241,85 cents/lbp, com uma queda de 75 pontos. O vencimento julho/26 caiu 150 pontos, encerrando a 245,50 cents/lbp, enquanto o contrato dezembro/26 perdeu 45 pontos, sendo negociado a 234,60 cents/lbp.

Em Londres (ICE Futures Europe), os contratos de café robusta também apresentaram desvalorização. O vencimento julho/26 caiu US$ 40, fechando a US$ 3.293 por tonelada. O contrato setembro/26 perdeu US$ 30, encerrando a US$ 3.230 por tonelada, enquanto o novembro/26 recuou US$ 28, para US$ 3.161 por tonelada.

Conforme o analista de mercado Eduardo Carvalhaes, o atual movimento de queda está diretamente ligado à entrada da nova safra brasileira, que faz com que compradores internacionais adotem uma postura mais cautelosa.

“Os compradores estão focando principalmente no curto prazo. Eles acreditam que, com a chegada de uma boa safra brasileira, poderão adquirir café a preços mais baixos e, por isso, estão adiando novas compras”, explicou.

Mercado ignora riscos de longo prazo

Na visão do analista, a atenção excessiva à colheita brasileira diminui o peso dado a fatores estruturais que continuam a preocupar o mercado, especialmente a baixa disponibilidade global de café.

Carvalhaes destaca que, mesmo com as estimativas mais otimistas para a produção brasileira de 2026, o mundo seguirá dependente do café produzido no Brasil.

“O mercado está projetando uma safra grande, mas a relação entre oferta e demanda continua apertada. Não há café sobrando no mundo e não se vislumbra, no curto prazo, a formação de estoques confortáveis”, afirmou.

O especialista ressalta que as exportações brasileiras devem permanecer elevadas no próximo ciclo, enquanto o consumo mundial continua a crescer, ainda que de maneira gradual. O aumento do consumo em países asiáticos, especialmente na China, continua sendo um dos principais fatores de sustentação da demanda global.

Oferta de arábica ainda é limitada

Embora a colheita esteja progredindo, Carvalhaes lembra que a disponibilidade de café arábica da nova safra ainda não é abundante no mercado físico.

Segundo ele, os primeiros lotes colhidos costumam estar comprometidos com contratos previamente negociados, limitando a oferta imediata para exportação.

“A partir de junho, a colheita ganha ritmo, mas apenas em agosto teremos uma oferta mais normalizada de arábica no mercado”, destacou.

No mercado interno, a comercialização também permanece lenta. Muitos produtores continuam retendo parte dos volumes disponíveis na expectativa de uma recuperação dos preços, o que reduz a liquidez das negociações.

Clima segue como principal fator de atenção

Além da questão dos estoques, o clima continua sendo uma das maiores preocupações para o setor cafeeiro.

O analista acredita que o mercado ainda não está precificando plenamente os riscos associados à possibilidade de um fenômeno El Niño mais intenso nos próximos meses. Se confirmado, esse evento poderá impactar regiões produtoras importantes ao redor do mundo.

No Brasil, os efeitos poderiam incluir atraso nas chuvas e temperaturas mais altas no Sudeste, onde se concentra grande parte da produção nacional de café.

“Neste momento, tudo o que o mundo não precisa é de uma quebra na safra brasileira de 2027. O mercado está monitorando o clima, mas ainda aguarda sinais mais concretos para incorporar esses riscos aos preços”, observou.

Granizo preocupa produtores, mas impacto nacional ainda é incerto

Em relação às chuvas de granizo registradas no Sul de Minas no final de maio, Carvalhaes reconhece que os danos podem ser severos para as propriedades afetadas, mas considera prematuro afirmar que haverá reflexos significativos na produção brasileira como um todo.

“O granizo é um desastre para quem sofre a ocorrência na lavoura. Em alguns casos, pode comprometer fortemente a safra seguinte. Mas ainda é cedo para medir os impactos sobre a produção nacional”, explicou.

Segundo ele, o potencial produtivo da safra de 2027 dependerá da combinação de diversos fatores climáticos nos próximos meses, incluindo inverno, risco de geadas, floradas e regime de chuvas durante o verão.

Diante desse cenário, o mercado permanece dividido entre a pressão de curto prazo causada pela chegada da safra brasileira e as incertezas relacionadas ao abastecimento global nos próximos anos. Enquanto a colheita avança, os investidores continuam monitorando de perto os desdobramentos climáticos e a evolução dos estoques mundiais, fatores que poderão voltar a dar suporte às cotações nos próximos meses.

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