Chuvas em regiões produtoras e estoques globais limitados impulsionam novas elevações nos preços do arábica e do robusta nas bolsas internacionais
O mercado de café iniciou as negociações desta quinta-feira (18) com forte valorização nas bolsas internacionais, mantendo a tendência de alta observada nos últimos dias, em meio a preocupações com o andamento da colheita brasileira, os efeitos das chuvas na qualidade dos grãos e os baixos níveis de estoques globais.
Pela manhã, o café arábica apresentava alta na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US). O contrato para julho de 2026 estava sendo negociado a 284,80 cents/lbp, com um aumento de 695 pontos. O contrato de setembro de 2026 subia 470 pontos, cotado a 276,60 cents/lbp, enquanto o de dezembro de 2026 avançava 390 pontos, alcançando 267,05 cents/lbp.
Em Londres, o robusta também mostrava alta. O contrato para julho de 2026 registrava um ganho de 38 pontos, negociado a US$ 3.718 por tonelada. O contrato de setembro de 2026 subia 42 pontos, para US$ 3.664 por tonelada, enquanto o de novembro de 2026 avançava 39 pontos, cotado a US$ 3.613 por tonelada.
O mercado permanece atento às condições climáticas nas regiões produtoras do Brasil. De acordo com análise do Escritório Carvalhaes, as chuvas persistentes em áreas cafeeiras durante a colheita continuam a gerar apreensão entre operadores e compradores, especialmente pelos possíveis efeitos na qualidade dos grãos e pelo atraso na disponibilização do café novo no mercado.
Os estoques certificados de arábica da ICE também atuam como um fator de suporte. Dados recentes indicam que os estoques caíram para 396.171 sacas, o menor nível dos últimos anos e significativamente abaixo das 859.389 sacas registradas no mesmo período do ano anterior. Esse cenário reforça a percepção de uma oferta limitada no curto prazo.
No mercado físico brasileiro, a comercialização segue de forma seletiva. Conforme o Escritório Carvalhaes, o volume de negócios permanece abaixo do que é normalmente esperado para esta época do ano, uma vez que muitos produtores ainda mostram resistência em vender seus lotes nos níveis atuais de preços.
Nos campos, as previsões da Climatempo indicam que as chuvas continuarão em áreas do Espírito Santo, na Zona da Mata mineira e em parte do Rio de Janeiro até esta quinta-feira. Para as demais regiões produtoras do interior de Minas Gerais e de São Paulo, o tempo mais seco favorece o avanço da colheita. A partir de sexta-feira, uma nova frente fria deve trazer aumento das instabilidades, especialmente em São Paulo, mantendo a atenção do mercado voltada para o progresso das atividades de campo.
Com a colheita ainda avançando de maneira desigual entre as regiões produtoras, previsões de novas chuvas e estoques globais reduzidos, o mercado permanece sensível a qualquer informação relacionada à oferta brasileira e à qualidade da safra 2026/27.






