O mercado observa condições climáticas divergentes nas regiões produtoras de café do Brasil, enquanto a qualidade da safra continua sendo um ponto de atenção
Os preços do café começaram a semana em queda nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (29). O mercado está atento ao avanço da colheita nas áreas onde o clima se estabilizou, mas também aos efeitos do excesso de chuvas em regiões chave para a produção no Brasil.
O café arábica apresentava desvalorização na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US). O contrato para setembro/26 registrava uma queda de 80 pontos, sendo cotado a 272,40 cents/lbp. O contrato de dezembro/26 caiu 155 pontos, negociado a 259,35 cents/lbp, enquanto o de julho/26 perdeu 205 pontos, valendo 286,75 cents/lbp.
No mercado do robusta, os contratos também estavam em baixa na ICE Futures Europe. O vencimento para setembro/26 apresentou uma queda de 42 pontos, com cotação de US$ 3.585 por tonelada. O novembro/26 recuou 43 pontos, sendo negociado a US$ 3.527 por tonelada, enquanto o julho/26 perdeu 34 pontos, valendo US$ 3.783 por tonelada.
A pressão sobre os preços ocorre em um contexto onde algumas áreas produtoras conseguiram retomar a colheita com a diminuição das chuvas. Contudo, as condições permanecem bastante desiguais entre as regiões cafeeiras, o que mantém a volatilidade no mercado.
Conforme o relatório “Choveu Demais”, divulgado pelo Cafezal Sul de Minas, o excesso de chuvas em junho trouxe desafios significativos para a cafeicultura. Além de interromper a colheita em vários momentos, as chuvas aumentaram a umidade dos grãos, dificultaram a secagem nos terreiros e elevaram o risco de fermentação, comprometendo a qualidade do café. Em algumas propriedades, os produtores também relataram um aumento nos custos operacionais devido às sucessivas paralisações das atividades.
O mercado continua a monitorar essas condições, pois, embora o Brasil esteja a caminho de uma safra abundante, a qualidade do café colhido torna-se cada vez mais relevante nesta fase. Lotes de melhor qualidade tendem a obter maior valorização, enquanto cafés afetados pela umidade excessiva podem enfrentar deságios.
Além da colheita, os investidores mantêm atenção ao comportamento do clima nas próximas semanas. A irregularidade das condições meteorológicas continua a ser um dos principais fatores que influenciam a formação dos preços, especialmente com as discussões sobre os possíveis impactos do El Niño nos padrões climáticos do segundo semestre.







