Atualizado em: 03/07/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.560 Café Arábica Rio 7: R$ 1.220,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 1040,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1070,00
Atualizado em: 03/07/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.560 Café Arábica Rio 7: R$ 1.220,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 1040,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1070,00
Café solúvel brasileiro sai esperançoso de audiência do USTR sobre taxas de 25%

Café solúvel brasileiro aguarda com otimismo audiência do USTR sobre tarifas de 25%

O setor foi defendido por Abics, Cecafé e NCA, que destacaram a relevância do produto nacional para a cadeia cafeeira americana, além do impacto inflacionário que uma taxação poderia acarretar para os consumidores.

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), por meio do escritório BMJ Consultores Associados, participou, nos dias 6 e 7, em Washington, EUA, de audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês), com representantes de vários setores da economia nacional, sobre a proposta dos EUA de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, incluindo o café solúvel.

Durante sua participação, realizada ontem, a entidade destacou que o café solúvel é um insumo crucial para diversos segmentos da economia americana, como bebidas prontas para consumo, panificação, confeitaria, laticínios e serviços de alimentação institucional.

Com estudos indicando um crescimento anual de 5,6% no mercado americano de café pronto para consumo entre 2025 e 2030, a Abics sublinhou a necessidade de garantir um fornecimento estável e acessível do café solúvel brasileiro, essencial para este produto nos EUA.

A Associação ainda acrescentou que grandes empresas americanas de alimentos e bebidas, que representam mais de 20% das vendas de café no varejo e mais de 10% do consumo total, também dependem de um fornecimento confiável de café solúvel para suas operações e estratégias de precificação.

Nesse contexto, a entidade reforçou que o Brasil desempenha um papel fundamental na cadeia de suprimentos dos EUA, respondendo por 22% das importações norte-americanas de café solúvel, com um total de 15.500 toneladas métricas, principalmente na forma de extratos a granel, concentrados e grânulos.

A Abics também lembrou que o café solúvel brasileiro oferece perfis de solubilidade distintos, misturas de origens geográficas específicas e certificações de qualidade internacionalmente reconhecidas que não podem ser facilmente replicadas por outros fornecedores.

Outro ponto levantado foi que essa cadeia de suprimentos impacta diretamente os consumidores americanos, uma vez que 11% da população local consome café solúvel diariamente, a um custo de apenas US$ 0,06 a US$ 0,07 por xícara, especialmente em lares que buscam manter o orçamento. Assim, a entidade argumentou que uma tarifa adicional de 25% (de acordo com a Seção 301) aumentaria os preços, pressionaria as margens das empresas e sobrecarregaria desproporcionalmente as famílias que dependem de café acessível.

“Além disso, esse suprimento não pode ser facilmente substituído. O mercado de importação de café solúvel dos EUA é altamente concentrado: México e Brasil somam quase 60% das importações totais, sendo que os preços mexicanos são cerca de 1,5 vezes superiores aos brasileiros”, explica o diretor de Relações Institucionais da Abics, Fabio Sato, que participou da audiência e acrescenta que, “com capacidade excedente limitada na Colômbia, Vietnã e Indonésia, fornecedores alternativos não conseguem preencher essa lacuna rapidamente”.

Ele também ressalta que é igualmente importante mencionar que o café solúvel brasileiro segue rigorosos padrões de qualidade da Abics, incluindo as classificações “Classic”, “Premium”, “Excellence” e “100% Arábica”, e que a implementação de tarifas adicionais resultaria em escassez imediata, aumento de custos, diminuição da qualidade e redução da competitividade em todo o mercado americano, prejudicando fabricantes, operadores de serviços de alimentação e consumidores.

“A maior parte do valor econômico desse comércio é gerada nos Estados Unidos. O café solúvel brasileiro chega quase inteiramente a granel, enquanto a mistura, o empacotamento, o marketing e a distribuição ocorrem em solo americano. Portanto, uma tarifa sobre esse produto não penalizaria um bem estrangeiro acabado, mas aumentaria os custos para os fabricantes nacionais e enfraqueceria a competitividade dos produtos de café solúvel fabricados nos EUA”, analisa Sato.

De acordo com o diretor da Abics, as implicações logísticas são significativas, com mais de 81% das importações de café solúvel dos EUA entrando pelo Texas, Nova York e Louisiana, enquanto as remessas brasileiras são concentradas em Nova Orleans, Nova York, Charleston e Los Angeles.

“Uma queda acentuada na oferta brasileira afetaria centros logísticos importantes na Costa do Golfo e no Nordeste, gerando escassez e colocando em risco as operações industriais”, afirma.

Em sua explanação, os representantes da Abics enfatizaram que tarifas sobre o café solúvel não seriam práticas nem eficazes para atingir os objetivos da investigação do USTR, lembrando que o comércio de café opera dentro de um sistema agrícola transparente e orientado pelo mercado, distinto das questões de comércio digital, propriedade intelectual, meio ambiente e práticas de pagamento que estão em análise.

A entidade também alertou que aumentos tarifários anteriores demonstraram que choques repentinos de custos reduzem os volumes de importação, perturbam cadeias de suprimentos e elevam rapidamente os preços ao consumidor.

“Dadas as margens reduzidas dos produtores de alimentos e bebidas dos EUA, esses custos provavelmente seriam repassados ​​aos consumidores, levando a um aumento da inflação. Por todas essas razões, solicitamos ao USTR a exclusão do código HTS 2101.11.21, que se refere ao café solúvel brasileiro, de quaisquer tarifas adicionais da Seção 301”, informa Sato.

O diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional do BMJ, José Pimenta, comunica que, além da Abics, a defesa do café solúvel brasileiro também foi apoiada pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e pela entidade norte-americana National Coffee Association (NCA), resultando em 15 minutos de defesa na audiência.

“As três manifestações foram muito convergentes e um ponto importante é que nenhuma das entidades foi contestada, não houve objeções em nenhum dos pronunciamentos em defesa do café solúvel brasileiro, o que nos deixa otimistas quanto à possibilidade de que o produto não receba a taxação de 25%, podendo entrar em uma lista de isenção, assim como os outros tipos de café do Brasil”, relata.

Pimenta acrescenta que, durante a parte da audiência destinada a questionamentos dos investigadores americanos, as perguntas focaram mais especificamente no impacto tarifário potencial na cadeia de café dos EUA como um todo, especialmente em relação à manufatura.

“Isso foi positivo, pois pudemos enfatizar todo o impacto econômico e social que a adição de tarifas de 25% ao café solúvel brasileiro teria na economia americana e no bolso dos consumidores”, conclui o diretor do BMJ.

Fonte Original

Facebook
WhatsApp
Email

Assine nossa Newsletter

Receba novidades e atualizações do mercado de café direto no seu e-mail!