Atualizado em: 03/07/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.560 Café Arábica Rio 7: R$ 1.220,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 1040,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1070,00
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Clima volta a pautar o mercado e café avança nesta terça-feira(23)

Café encerra em baixa, porém o atraso inédito na colheita gera preocupação sobre…

As chuvas afetaram a região Sul de Minas, que completou apenas 30% da colheita na metade do calendário; o mercado observa os impactos na bebida e na próxima safra.

Os preços do café encerraram a sessão desta quarta-feira (8) com queda nas bolsas internacionais, influenciados pelo avanço da colheita brasileira. Apesar da tendência de baixa, os fundamentos do mercado continuam a ser acompanhados de perto pelos operadores, especialmente devido ao atraso nas atividades de campo, à preocupação com a qualidade dos grãos e aos primeiros efeitos das chuvas atípicas no próximo ciclo produtivo.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato para julho/26 fechou cotado a 324,25 cents por libra-peso, com uma queda de 735 pontos. O contrato de setembro/26 encerrou a 309,80 cents/lbp, com uma redução de 780 pontos, enquanto o de dezembro/26 terminou a 297,25 cents/lbp, perdendo 775 pontos.

Na ICE Europe, o robusta também teve um fechamento negativo. O contrato de julho/26 foi negociado a US$ 3.761 por tonelada, com uma desvalorização de 131 pontos. O contrato de setembro/26 terminou a US$ 3.741 por tonelada, com queda de 131 pontos, e o de novembro/26 fechou a US$ 3.712 por tonelada, recuando 127 pontos.

O movimento de realização de lucros ocorre em um momento em que a colheita retoma ritmo nas principais regiões produtoras, beneficiada pelo predomínio de tempo seco. No entanto, o mercado permanece atento aos atrasos acumulados em junho, que ainda limitam o avanço da safra em diversas áreas cafeeiras.

Um levantamento da Faemg Senar revela que o Sul de Minas, a maior região produtora de café arábica do Brasil, alcançou a metade do calendário de colheita com apenas 30% da produção colhida, um percentual bem inferior aos 52% registrados no mesmo período da safra anterior.

O principal motivo para o atraso foi o excesso de chuvas durante junho. Dados da Fundação Procafé indicam que Varginha registrou 64 milímetros de precipitação no mês, um volume duas vezes maior que a média histórica de 32,4 milímetros desde 1974.

As chuvas interromperam a colheita em todas as propriedades monitoradas pelo levantamento. Em 47% delas, a paralisação durou até dez dias; em 43% dos casos, até cinco dias; e em 9% das propriedades, os trabalhos ficaram suspensos por mais de dez dias.

De acordo com Guilherme Ferreira Marques, supervisor do Programa ATeG da Faemg Senar, as interrupções não só afetam o ritmo da colheita, mas também podem comprometer a qualidade do café.

“As chuvas provocam a queda dos frutos no chão e atrasam a secagem dos grãos. Esse excesso de umidade favorece o ataque de fungos e pode reduzir a qualidade da bebida”, explica.

Outro aspecto que preocupa o setor é a ocorrência de floração antecipada. O levantamento identificou esse fenômeno em pelo menos 213 propriedades, consequência das chuvas fora de época durante a colheita. Embora ainda seja cedo para avaliar os impactos, o comportamento das lavouras aumenta a atenção sobre o potencial produtivo da safra 2027/28.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) também ressalta que, apesar da retomada dos trabalhos no início de julho, várias regiões produtoras ainda não atingiram a metade da colheita, cenário que mantém o mercado alerta em relação à evolução da oferta nas próximas semanas.

Enquanto a entrada de café novo tende a pressionar as cotações no curto prazo, os atrasos na colheita, as incertezas sobre a qualidade dos grãos e os possíveis efeitos climáticos sobre o próximo ciclo continuam a limitar movimentos mais intensos de baixa, mantendo os participantes do mercado atentos ao desenvolvimento da safra brasileira.

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