Atualizado em: 24/07/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.650,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.300,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 1.050,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1.090,00
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Café fecha em alta com preocupação de que El Niño possa afetar a próxima...

Café inicia a semana com expressiva valorização, enquanto o mercado observa os riscos climáticos; NY…

Os preços do café arábica subiram mais de 1.400 pontos em Nova York, enquanto o robusta teve alta em Londres; investidores estão atentos à possibilidade de um Super El Niño, à colheita brasileira e às projeções do USDA para a safra 2026/27.

O mercado futuro do café começou a semana com uma valorização expressiva nas bolsas internacionais. Na manhã desta segunda-feira (27), os contratos de arábica na ICE Futures US registravam um aumento superior a 1.400 pontos, enquanto o robusta também apresentava alta na ICE Europe, em um movimento de recuperação após as perdas da semana anterior, em um cenário onde fatores altistas e baixistas competem nas decisões dos investidores.

O contrato setembro/26 do café arábica era negociado a 328,25 cents de dólar por libra-peso, com um crescimento de 14,45 pontos. Na ICE Europe, o robusta para setembro/26 subia US$ 40, cotado a US$ 3.797 por tonelada.

Essa recuperação ocorre em um momento em que o mercado tenta equilibrar a expectativa de uma safra mundial recorde com o aumento das preocupações climáticas para os próximos meses, especialmente com a possibilidade de um Super El Niño, fenômeno que pode alterar consideravelmente o padrão de chuvas nas principais regiões produtoras do mundo.

De acordo com a análise do especialista Thobias Silva, publicada no Investing.com, os mercados globais já começam a considerar esse risco climático nos preços. Com base em previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há uma alta probabilidade de formação de um Super El Niño entre o final de 2026 e o início de 2027, com anomalias de temperatura na superfície do Oceano Pacífico entre 1,8°C e 2,5°C.

Silva ressalta que eventos dessa magnitude costumam ter impactos significativos na produção agrícola mundial, elevando a volatilidade das commodities e aumentando o prêmio de risco negociado pelos investidores. Embora não haja efeitos diretos sobre a atual safra brasileira de café, o mercado está atento a qualquer mudança nas condições climáticas que possa afetar a produção futura.

O analista também menciona estudos do Peterson Institute for International Economics, que indicam que um Super El Niño pode resultar em perdas econômicas globais estimadas em US$ 686 bilhões no primeiro ano, acumulando cerca de US$ 3,1 trilhões ao longo de cinco anos, devido à redução de investimentos, interrupções nas cadeias de suprimentos, impactos na produção agrícola e pressões inflacionárias.

Segundo Silva, economias emergentes, como o Brasil, tendem a ser mais vulneráveis a eventos climáticos desse tipo, devido à sua dependência da produção e exportação de commodities agrícolas. Nesse contexto, culturas como café, soja, milho, açúcar e cacau continuam sendo monitoradas de perto pelos investidores.

Mercado divide atenções entre clima e maior oferta mundial

Por um lado, o risco climático proporciona suporte aos preços; por outro, as expectativas para a oferta mundial ainda indicam um cenário mais confortável para a próxima temporada.

Um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado pela Cooxupé, aponta que a produção mundial de café deverá alcançar 189,7 milhões de sacas na safra 2026/27, o maior volume já registrado. Esse crescimento será impulsionado principalmente pela recuperação da produção brasileira de arábica e pelo aumento da oferta de robusta no Vietnã, além de melhores safras em países como Etiópia e Uganda.

O USDA também prevê exportações recordes de 131,4 milhões de sacas, um consumo mundial de 179,7 milhões de sacas e estoques finais de 26,3 milhões de sacas, indicando uma recomposição gradual da oferta global após anos de estoques reduzidos.

Esse cenário ajuda a explicar a elevada volatilidade observada nas bolsas. Embora a expectativa de maior produção mundial limite movimentos expressivos de alta, qualquer sinal de deterioração climática nas principais regiões produtoras ainda é suficiente para provocar reações intensas dos investidores.

Colheita brasileira segue no radar

Além do cenário internacional, os operadores estão de olho na colheita no Brasil, o maior produtor e exportador de café do mundo.
As condições climáticas têm favorecido as atividades na maioria das regiões produtoras, embora chuvas pontuais nos últimos dias em áreas do Sudeste tenham causado interrupções localizadas. Até o momento, não há previsão de eventos climáticos severos, como geadas, que possam comprometer a produção.

Ainda assim, a evolução da colheita está sendo monitorada de perto pelo mercado, que busca avaliar não apenas o volume final da safra, mas também a qualidade dos grãos, fator que pode influenciar o ritmo das exportações brasileiras no segundo semestre.
Outro aspecto que continua a dar suporte estrutural aos preços é o baixo nível dos estoques certificados nas bolsas internacionais, que permanecem muito abaixo dos volumes registrados há um ano, mantendo a oferta disponível relativamente restrita no mercado físico.

Mercado segue sensível às notícias

A combinação de uma perspectiva de produção recorde, estoques ainda limitados, incertezas climáticas e a progressão da colheita brasileira deve continuar a influenciar o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Para os investidores, o foco permanece dividido entre os fundamentos de longo prazo, que sinalizam uma oferta mundial mais robusta, e os riscos climáticos que ainda podem impactar esse cenário. Esse ambiente de incerteza tende a manter o mercado do café altamente volátil, com reações rápidas a qualquer nova informação relacionada ao clima, à evolução da safra brasileira ou às revisões nas estimativas globais de produção.
 

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