Atualizado em: 30/07/2026 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 1.630,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.270,00 Café Conilon tipo 7ES: R$ 1.020,00 Café Conilon tipo 7 MG: R$ 1.020,00
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Hedgepoint revisa sua previsão de superávit mundial do café para 8,2 milhões de…

A revisão indica ajustes na produção de outras regiões, enquanto o fenômeno El Niño intensifica os riscos para a oferta global na safra 2026/27

O mercado mundial de café permanece extremamente volátil, conforme a análise da Hedgepoint Global Markets, com foco na evolução da colheita da safra 2026/27 no Brasil e nos potenciais impactos do El Niño em outras áreas produtoras. De acordo com a empresa, a previsão de superávit global para a temporada foi ajustada de 9,9 milhões de sacas para 8,2 milhões de sacas, após revisões para baixo na produção de certos países devido a padrões irregulares de chuvas.

A análise foi apresentada durante a Live com os Especialistas sobre o mercado de café e destaca que, apesar da diminuição, o excedente ainda poderá permitir uma recuperação dos estoques, embora a estrutura atual do mercado, os custos e a tendência das importações nos países compradores possam levar os países exportadores a reter parte de sua produção.

Contexto macroeconômico sob pressão devido ao conflito no Oriente Médio

O cenário global continua sendo impactado pelos desdobramentos do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Em 18 de junho de 2026, os dois países assinaram um Memorando de Entendimento para suspender as hostilidades por 60 dias e negociar o fim do conflito, resultando em uma queda nos preços da energia. No entanto, em 7 de julho, novos ataques intensificaram o conflito, afetando o setor energético e elevando as expectativas de um cenário inflacionário persistente.

Diante desse panorama, o Banco Central Europeu elevou suas três taxas de juros de referência em 25 pontos-base, enquanto o Federal Reserve optou por manter as taxas inalteradas, entre 3,5% e 3,75%, mas indicou que um novo aumento ainda em 2026 é possível, uma vez que a inflação permanece acima da meta de 2%. No Brasil, o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos ainda pode manter o carry trade atrativo.

Expectativa de preços do café continua volátil

Conforme a Hedgepoint, os preços do café, especialmente do arábica, têm demonstrado alta volatilidade em julho. Embora os fundamentos também tenham influenciado esse cenário, fatores macroeconômicos, indicadores técnicos e o posicionamento dos fundos foram os principais catalisadores do movimento, à medida que os futuros do arábica romperam níveis significativos de resistência e médias móveis de longo prazo. A arbitragem também se ampliou.

O aumento das margens iniciais reduziu a liquidez do mercado e levou muitos fundos a ajustar ou encerrar posições, o que, combinado com o aumento das chamadas de margem, provocou atividade adicional de cobertura de posições vendidas. Após correções recentes, o mercado perdeu parte da força anterior, embora isso não exclua a possibilidade de uma nova fase de volatilidade, especialmente considerando os riscos associados ao El Niño e os baixos estoques certificados.

Os spreads também refletem preocupações no curto e médio prazo, com a diferença entre os contratos de setembro e dezembro do arábica aumentando significativamente ao longo do mês. Segundo a análise, os atrasos na colheita no Brasil, a oferta mais restrita de outras origens, os efeitos de um El Niño forte e a redução dos estoques certificados pela ICE deverão manter os spreads de curto prazo elevados.

Atrasos na colheita brasileira, mas expectativa de safra recorde é mantida

No Brasil, as chuvas constantes em junho impediram que os trabalhadores acessassem os campos de café, resultando em atrasos na colheita e impactando a qualidade da bebida dos grãos que estavam secando naquele período. Mesmo com a colheita ganhando força em julho, ela continua abaixo dos níveis dos anos anteriores.

Por outro lado, de acordo com a Hedgepoint, apesar do atraso, as chuvas não impactaram a produção total, e a expectativa de uma safra recorde no país foi mantida. Outras entidades do mercado também ressaltam a excepcional safra do Brasil em 2026/27 e seu papel na formação de um superávit global de café.

No entanto, o ritmo de vendas permanece mais lento do que na temporada anterior, refletindo nas exportações: as de arábica continuam abaixo da média dos últimos anos, enquanto as de robusta mostraram uma leve recuperação recente, em função da evolução da colheita. A análise também destaca que, em meados de julho, o café instantâneo brasileiro foi incluído na lista de isenções da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. Dado que o país é um dos maiores importadores do produto brasileiro, essa medida pode beneficiar as exportações.

Precipitação acumulada nas regiões cafeeiras do Brasil: Junho (mm)

El Niño aumenta riscos para outras origens produtoras

A Hedgepoint alerta para a crescente intensidade do El Niño, que já apresenta mais de 70% de probabilidade de se tornar muito forte entre agosto e novembro de 2026, com potencial para impactar os principais países produtores de café.

No Vietnã, por exemplo, o desenvolvimento da safra 2026/27 tem sido afetado por chuvas abaixo da média, o que já resultou em uma redução marginal na estimativa de produção, com risco de novos ajustes caso as condições climáticas não melhorem. Na Indonésia, a preocupação concentra-se no clima do segundo semestre, quando os cafezais entrarão na fase de desenvolvimento da safra 2027/28.

Para o arábica, a maioria dos países da América Central apresenta padrões irregulares de precipitação relacionados ao El Niño. Já na Colômbia, a precipitação se mantém próxima da média, favorecendo o desenvolvimento da safra 2026/27, embora o fenômeno ainda possa impactar a oferta, especialmente na colheita de Mitaca.

Balanço global e perspectivas

Embora a expectativa de uma colheita recorde no Brasil garanta um excedente nesta temporada, um El Niño extremamente forte pode afetar a produção em outras origens, que estão atualmente em desenvolvimento. Após revisar para baixo a produção de alguns países com base nos padrões irregulares de precipitação, a Hedgepoint ajustou sua previsão de superávit para 2026/27 de 9,9 milhões para 8,2 milhões de sacas.

Conforme a análise, apesar da diminuição, o excedente ainda pode possibilitar uma recuperação dos estoques. Contudo, a estrutura atual do mercado, os custos e a tendência das importações nos países compradores podem levar os países exportadores a reterem parte da produção.

A Hedgepoint também enfatiza que, como muitos países só iniciarão a colheita entre outubro e novembro, novas revisões ainda poderão ser realizadas, e os efeitos do El Niño poderão modificar o superávit. O fenômeno também será crucial para a safra 2027/28 no Brasil e na Indonésia, com possíveis repercussões sobre os preços do café até o final do ano.

No Brasil, a expectativa é de que o avanço da colheita recorde permita um aumento nas exportações nos próximos meses, o que pode pressionar os preços. Por outro lado, as incertezas relacionadas ao El Niño em outras origens e os estoques ainda reduzidos nos países compradores podem limitar parte desse movimento de queda esperado devido à colheita brasileira.

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