Os contratos futuros do café arábica encerraram o pregão desta quarta-feira (5) com alta na Bolsa de Nova Iorque, em um movimento de recuperação após as perdas das sessões anteriores. O mercado, ainda bastante volátil, voltou a subir em meio às preocupações persistentes com as condições climáticas para a finalização da colheita da atual safra brasileira, enquanto os operadores permanecem atentos ao ritmo das vendas no país.
Os principais vencimentos apresentaram ganhos de 265 a 280 pontos, levando o setembro a 326,90 cents por libra-peso, enquanto o dezembro fechou a 311,45 centavos de dólar/lb. Esse movimento foi impulsionado pela cobertura de posições vendidas e por um ajuste técnico do mercado, que estava sob pressão devido ao avanço da colheita brasileira nas últimas semanas.
Embora os trabalhos de campo tenham avançado recentemente, os traders continuam monitorando a disponibilidade de cafés arábica de melhor qualidade, uma vez que as chuvas que afetaram várias das principais regiões produtoras do país resultaram não apenas em atrasos, mas também em perda de qualidade.
Conforme explicou o analista de mercado e diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, o Brasil ainda está no inverno, e os 20% da área que ainda precisam ser colhidos não estão isentos de intempéries ou surpresas causadas por condições climáticas adversas, que podem gerar preocupações ainda maiores.
“O fenômeno El Niño está presente até janeiro ou fevereiro de 2027, e cada região deve reagir de uma maneira”, afirma Bonfá, o que deixa o mercado ainda mais volátil e sem uma tendência clara e bem definida.
Além disso, os estoques certificados continuam em níveis historicamente baixos, o que limita movimentos mais acentuados de queda e mantém os participantes atentos à evolução da oferta global.
Para os próximos dias, as previsões indicam condições de tempo mais seco nas principais áreas de produção no Brasil – Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Alta Mogiana e interior de São Paulo – o que pode, de certa forma, impactar os futuros do arábica, já que, se confirmado, favoreceria a colheita, a secagem e o transporte dos grãos.
EM LONDRES, MÁXIMAS EM UMA SEMANA PARA O ROBUSTA
Na Bolsa de Londres, os contratos futuros do café robusta também avançaram, fechando em suas máximas de uma semana nos principais vencimentos. O mercado subiu não apenas acompanhando o desempenho do arábica e a busca por recomposição de posições, mas também devido às preocupações com o clima no Vietnã, o maior produtor da variedade.
As previsões climáticas, segundo informa o portal internacional Barchart, indicam uma redução na probabilidade de chuvas no Planalto Central do Vietnã, a principal região produtora de café do país.
O suporte adicional vem da cautela dos investidores em relação ao abastecimento asiático e à demanda da indústria, que continua a buscar o robusta como alternativa para compor blends.
Por outro lado, as exportações aquecidas de robusta pelo Vietnã, que estão colocando uma quantidade significativa de café no mercado, acabam gerando alguma pressão sobre os futuros ou, pelo menos, limitando os ganhos da variedade na bolsa inglesa.
MERCADO NACIONAL
No mercado físico brasileiro, a tendência é de negociações pontuais. Os produtores permanecem cautelosos em suas vendas, aguardando melhores oportunidades de preço, enquanto os compradores estão bem abastecidos pela nova safra, o que diminui a urgência nas aquisições e mantém o ritmo dos negócios moderado.








