Na Bolsa de Nova Iorque, os preços do café arábica registraram uma forte alta nesta segunda-feira (24), com ganhos superiores a 5% ao longo do dia. O mercado retoma a trajetória ascendente após a realização de lucros observada no fechamento da semana passada, refletindo um cenário de oferta mais restrita no curto prazo, com estoques certificados em níveis historicamente baixos e novas preocupações relacionadas ao clima no Brasil.
Por volta das 12h15 (horário de Brasília), os preços subiam entre 3,7% e 4,5% nos contratos mais negociados, com o vencimento de dezembro a 337 cents por libra-peso, enquanto o contrato para março/27 estava cotado a 322,20 centavos de dólar.
Analistas e consultores de mercado destacam que a atenção neste início de semana está focada na relação entre os estoques disponíveis, a velocidade da chegada da nova safra e os riscos climáticos para a próxima produção. Essa dinâmica torna os agentes do mercado mais sensíveis a qualquer notícia que possa afetar a oferta ou a qualidade do café brasileiro.
Fabiano Odebrecht, em sua análise, aponta que o início da semana ocorre em um ambiente tenso devido à combinação de estoques baixos e riscos climáticos observados durante o mês de agosto. Essa leitura reforça que, apesar da expectativa de uma safra brasileira abundante, o mercado continua preocupado com a disponibilidade imediata e as condições para a formação da próxima safra.
Um dos principais fatores que sustentam as cotações é o nível dos estoques certificados pela ICE, que na última sexta-feira estavam em 227.992 sacas, um número considerado bastante baixo para uma commodity da importância do café arábica no comércio internacional.
A situação se torna ainda mais crítica, pois o mercado precisa recompor esses estoques em um momento de transição entre safras. A chegada de uma produção brasileira maior pode melhorar a disponibilidade nos próximos meses, mas problemas de qualidade e o ritmo de comercialização podem restringir esse efeito no curto prazo.
Além disso, a produção da Colômbia deve ser cerca de 8% inferior à da safra anterior, totalizando apenas 12,5 milhões de sacas, o que representa mais um fator de alta para os preços nas bolsas internacionais.
Vale ressaltar que a expectativa de uma safra brasileira recorde não elimina os riscos para certos tipos de café. As chuvas intensas registradas em regiões produtoras durante a colheita impactaram negativamente a qualidade de parte dos grãos, podendo reduzir a disponibilidade de cafés de qualidade superior.
“É fundamental aproveitar o período de tempo firme para avançar e, sempre que possível, finalizar essa operação antes de um possível retorno das chuvas, minimizando os riscos de perdas na produção e na qualidade dos frutos que permanecem no solo”, afirmam os técnicos da Expocacer.
Assim, o cenário permanece caracterizado por elevada volatilidade, com os agentes monitorando de perto a evolução da colheita brasileira, a recomposição dos estoques certificados e quaisquer alterações nas previsões climáticas para as regiões produtivas.








