Na quarta-feira, o mercado do café enfrentou intensa pressão vendedora, resultando em quedas significativas nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, os contratos futuros do arábica encerraram o dia com uma perda superior a 3%, ampliando as desvalorizações ao longo do dia. Assim, o contrato de dezembro fechou a 297,35 cents de dólar por libra-peso, enquanto o de março terminou com 287,20 centavos de dólar por libra.
Esse movimento foi acompanhado pelo café robusta em Londres, onde o contrato para novembro caiu 1,70%, atingindo a mínima em dois meses e meio. Analistas e consultores de mercado apontam que a combinação de desafios logísticos no Brasil e previsões climáticas favoráveis levou a uma liquidação significativa de posições.
Com a colheita se aproximando do fim — já atingindo 97% de conclusão, conforme a consultoria Safras & Mercado, e com o ritmo acelerado de acordo com a Cooxupé —, muitos armazéns no Brasil esgotaram sua capacidade e já não aceitam novas cargas, alterando consideravelmente o fluxo comercial no país.
Os produtores que estavam retendo os grãos na esperança de preços melhores agora se veem obrigados a vender com mais rapidez devido à falta de espaço e à preocupação com a deterioração da qualidade dos grãos. No entanto, essa movimentação ainda não é generalizada e está sendo monitorada de perto pelos traders, especialmente os brasileiros.
“As fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana continuam dificultando a realização de um número maior de negócios. Muitos produtores rejeitam as bases de preços oferecidas pelos compradores e adiam as vendas, aguardando um cenário mais claro para os meses seguintes. Vendem apenas o necessário para cumprir compromissos imediatos”, afirma Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes.
Além disso, as condições climáticas também contribuíram para a pressão sobre os preços. Regiões produtoras essenciais, como Minas Gerais, registraram chuvas que ultrapassaram em 127% a média histórica na última semana. Essa umidade é benéfica para o desenvolvimento da florada da próxima safra, indicando um potencial elevado de produção e amenizando as preocupações do mercado com possíveis escassezes futuras.
Por outro lado, o excesso de chuvas mantém os cafeicultores cautelosos diante dos últimos eventos e da possibilidade de que o que atualmente parece favorável possa se transformar em um desafio para a próxima temporada.
MERCADO BRASILEIRO RECUANDO
Com a combinação das perdas em Nova Iorque e uma nova queda do dólar de cerca de 1%, os preços no mercado físico brasileiro também apresentaram uma redução significativa. Para o tipo 6 bebida dura, as perdas chegaram a até 5,4%, fazendo com que a referência em Varginha/MG ficasse em R$ 1750,00 por saca.
Para o cereja descascado, as perdas variaram entre 2,8% e 5,1%, levando o preço em Varginha a testar os R$ 1850,00 por saca.








