O mercado de café finalizou o pregão desta terça-feira (8) com expressivas quedas na Bolsa de Nova York. As cotações, que vinham de um ciclo de alta, iniciaram um movimento de realização de lucros no término da última semana, sendo fortemente impactadas pela chegada da oferta brasileira e pela melhora nas condições climáticas nas regiões produtoras, conforme analisam especialistas e consultores de mercado. Assim, os contratos futuros do arábica encerraram a primeira sessão da semana – após o feriado desta segunda (7) nos EUA e no Brasil – com perdas superiores a 2% nos principais vencimentos.
O contrato para dezembro fechou os negócios a 289,95 cents por libra-peso, enquanto o março/27 foi negociado a 281 centavos de dólar e o maio/27 a 277,90 centavos por libra.
A expectativa de aumento da oferta no curto prazo foi o principal fator de baixa hoje. Da mesma forma, os modelos climáticos indicam que Minas Gerais recebeu 8,9 mm de chuva na última semana de agosto (127% da média histórica), o que favorece a floração da safra do próximo ano e exerce pressão negativa sobre os preços atuais. Essa notícia é positiva para a nova safra, estimulando as floradas, mas gera preocupação nas áreas que ainda precisam concluir a colheita, o que também confunde o mercado de certa forma.
Outro aspecto observado foi o comportamento do dólar em relação ao real. A moeda americana voltou a recuar nesta terça-feira, perdendo os R$ 5,10 e, de certa forma, limitando as perdas para o arábica negociado na Bolsa de Nova York. Apesar disso, os fundamentos ainda pesam sobre as cotações.
No momento, as discussões no mercado, em especial no Brasil, giram em torno do volume e da qualidade da safra atual. A produção é robusta, mas a qualidade deixa a desejar. Isso já resulta em um alargamento no diferencial de preços, porém não ameaça o market share do Brasil nem gera nos traders a percepção de uma oferta reduzida que pudesse impulsionar os preços neste momento.
NA CONTRAMÃO, ROBUSTA SOBE COM CLIMA NO VIETNÃ
Em contraste, o café robusta registrou altas nesta terça-feira nos negócios da Bolsa de Londres. Os futuros aumentaram mais de US$ 50,00 por tonelada nos contratos mais negociados. Assim, o novembro encerrou o dia a US$ 3458,00 e o março/27 a US$ 3430,00 por tonelada.
Os preços encontraram suporte em previsões de chuvas intensas no Planalto Central do Vietnã, que podem causar inundações e prejudicar a safra local. Esse cenário se sobrepôs ao recente aumento dos estoques da ICE, que atingiram o maior nível em mais de nove meses na última semana.
MERCADO NACIONAL COM POUCA LIQUIDEZ
Um dólar mais fraco também pressionou o mercado físico brasileiro, que já estava sob pressão devido às quedas em Nova York. O produtor tem se mostrado mais cauteloso em fechar novos negócios, buscando segurança diante da volatilidade no cenário internacional e da sua necessidade de caixa, que é bastante particular entre os cafeicultores.
“O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante demandado, com grande interesse de compra para todos os tipos de café. Muitos produtores estão adiando vendas, esperando uma visão mais clara do cenário para os próximos meses. Eles vendem o necessário para cumprir compromissos mais imediatos, que são altos nesse período de finalização da colheita e preparo da nova safra”, afirma o diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes.








