O Brasil exportou mais café no início de setembro, mas recebeu menos por saca em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, os embarques de café em grão chegaram a 1,099 milhão de sacas de 60 quilos, enquanto o preço médio ficou em US$ 318,36 por saca.
Os dados mostram um movimento importante para o mercado: o volume cresce com a entrada da nova safra, mas a receita média por unidade recua. Para o produtor, isso reforça a necessidade de acompanhar não apenas a quantidade embarcada, mas também qualidade, diferenciais, câmbio e condições de comercialização.
Exportações cresceram 85,4% no começo de setembro
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior citados pelo Portal do Agronegócio, a média diária dos embarques nos quatro primeiros dias úteis de setembro foi 85,4% superior à registrada no mesmo período de 2025.
A receita acumulada alcançou US$ 350,146 milhões, com média diária de US$ 87,536 milhões. Apesar do avanço, o preço médio de US$ 318,36 por saca ficou 12,7% abaixo do observado em setembro do ano anterior.
Mais volume não significa maior retorno por saca
A diferença entre volume e preço médio ajuda a explicar por que o crescimento das exportações não se transforma automaticamente em valorização para cada lote. Uma maior oferta disponível pode aumentar a concorrência entre vendedores, enquanto a qualidade e o tipo de café continuam determinando os diferenciais pagos pelos compradores.
Agosto também teve mais embarques
O resultado de setembro dá continuidade ao desempenho de agosto. Naquele mês, o Brasil exportou 3,443 milhões de sacas de café em grão, com crescimento de 44,6% na média diária em relação a agosto de 2025.
A receita de agosto chegou a US$ 1,096 bilhão e cresceu 24,1% na média diária. O preço médio, porém, recuou 14,2% na comparação anual, para US$ 318,39 por saca.
O conjunto dos dados indica recuperação do fluxo de oferta brasileira, mas também uma pressão sobre o valor médio das unidades embarcadas.
Como o cenário influencia o mercado
Nova York e o dólar
O preço internacional do arábica e a variação do dólar continuam entre os principais fatores que influenciam a formação das ofertas no mercado físico. Quando os contratos futuros recuam, compradores tendem a reduzir as bases de compra; quando há recuperação, o interesse por novos negócios pode aumentar.
Esse movimento não altera a cotação oficial apresentada pelo Café Manhuaçu, que possui processo próprio de atualização. O artigo trata apenas do contexto das exportações e dos fatores de mercado.
Qualidade e diferenciais
Mesmo em um cenário de oferta maior, cafés com melhor bebida, preparo e rastreabilidade podem manter diferenciais em relação aos lotes comerciais. A separação adequada dos lotes e o cuidado na pós-colheita ajudam o produtor a apresentar melhor o produto aos compradores.
O que o produtor deve observar
O ritmo de exportações é um indicador relevante, mas não deve ser usado sozinho para decidir o momento de venda. Antes de negociar, o cafeicultor precisa avaliar necessidade de caixa, custos de armazenagem, qualidade do lote, prazo de pagamento e condições oferecidas pelo comprador.
Também é importante acompanhar a evolução da safra e as condições climáticas da próxima florada. A primeira Pesquisa Safra Café do Sistema Faemg Senar, por exemplo, reuniu dados de propriedades mineiras para ampliar a base de informação usada no planejamento do setor.
Veja também a análise do Café Manhuaçu sobre a estimativa da safra de café em Minas Gerais.
Mercado segue entre oferta maior e incertezas
A entrada de café da safra 2026/27 tende a ampliar a disponibilidade no curto prazo, mas o mercado ainda acompanha estoques, clima, logística e demanda. Por isso, a combinação de mais embarques com preço médio menor não permite concluir, sozinha, qual será a trajetória das cotações nas próximas semanas.
Para a cafeicultura de Minas Gerais e da Zona da Mata, o cenário reforça a importância de decisões graduais, controle de qualidade e leitura conjunta dos indicadores, sem confundir dados de exportação com uma cotação local automática.
Fonte consultada: Portal do Agronegócio, com dados da Secretaria de Comércio Exterior.



















