Os preços do café arábica encerraram esta sexta-feira (7) com significativas altas na Bolsa de Nova York, impulsionados mais uma vez por um movimento de recomposição de posições e, principalmente, pela renovação das preocupações relacionadas à oferta disponível no mercado global. As cotações fecharam o pregão com ganhos de 855 a 13,80 pontos nas posições mais negociadas, com setembro valendo 335,55 cents por libra-peso e março/27 com 305,85 centavos de dólar.
Dessa forma, o mercado fecha a semana com suas máximas na bolsa norte-americana.
As cotações encontraram suporte no atraso da colheita brasileira, nas incertezas sobre a qualidade de parte dos grãos colhidos após as chuvas em importantes regiões produtoras, na queda do dólar em relação a outras moedas – especialmente frente ao real, que recuou quase 0,5% nesta sexta – e na manutenção de uma demanda considerada firme pelos principais países consumidores.
O dólar index, conforme informações do portal Barchart, testou seu menor nível em sete semanas, permitindo ainda mais espaço para os ganhos de hoje. O cenário reforçou a percepção de aperto na oferta imediata, favorecendo uma valorização expressiva dos contratos futuros. “A oferta de café arábica continua diminuindo, com os estoques monitorados pela ICE caindo para o menor nível em dois anos e meio nesta sexta-feira”, complementaram os analistas do portal internacional.
Apesar das expectativas de uma safra volumosa no Brasil, o mercado permanece atento ao ritmo da entrada do café novo nos canais de comercialização. As precipitações ocorridas durante o período de colheita atrasaram os trabalhos em diversas áreas produtoras e aumentaram as preocupações com possíveis perdas de qualidade, especialmente no café arábica.
Embora os trabalhos de campo tenham avançado nos últimos dias com um cenário climático um pouco melhor, as previsões indicam mais chuvas que podem atingir regiões-chave de produção de café no Brasil nos próximos dias. Esse quadro reduz a disponibilidade imediata de lotes de melhor padrão, mantendo os compradores ativos na busca por produto.
O olhar para o clima da próxima safra também está atento, com o mercado monitorando os possíveis efeitos do El Niño.
“A preocupação de que o fenômeno climático El Niño possa afetar a safra de café do Brasil no próximo ano é um fator que pode impulsionar os preços. A Commercial, empresa de comercialização de café, afirmou que o El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil em setembro e outubro, período normalmente dedicado à floração das árvores, prejudicando a safra de café brasileira de 2026/27”, relata o Barchart.
MERCADO BRASILEIRO ACOMPANHA A VALORIZAÇÃO
No Brasil, a elevação expressiva das bolsas internacionais aumentou as referências de preços no mercado físico. As principais praças produtoras registraram valorização ao longo do dia, impulsionadas pelo forte desempenho do arábica em Nova York, mesmo com a queda do dólar.
Ainda assim, os vendedores permaneceram cautelosos, apostando em novas altas diante das incertezas sobre a evolução da colheita e da oferta de cafés de melhor qualidade. Os compradores, por sua vez, mantiveram uma postura ativa para garantir o abastecimento, contribuindo para um mercado físico firme e com negócios seletivos.
Segundo Heberson Sastre, Gerente da Mesa de Operações da Minasul, os cafés finos, com “catação boa”, ainda estão na faixa entre R$ 1780,00 e R$ 1830,00 por saca, com alguns negócios mirando os R$ 2 mil, mas com o volume de transações ainda bastante contido.
O resultado foi mais uma sessão de fortalecimento dos preços domésticos, refletindo um cenário em que os fundamentos continuam a prevalecer sobre as expectativas de uma safra maior, enquanto o mercado segue monitorando o avanço da colheita brasileira e a qualidade efetiva do café que chega ao mercado.








