Os preços do café arábica voltaram a registrar queda na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (6), influenciados pela melhora nas condições climáticas nas principais regiões produtivas do Brasil, o que favorece o avanço da colheita e aumenta as expectativas de uma maior oferta física nas próximas semanas.
As perdas ultrapassaram 500 pontos nos principais vencimentos, com o setembro a 321,65 centavos de dólar por libra-peso, o dezembro a 306,10 e o março/27 a 297,30 cents/lb.
O mercado, além de sentir a pressão de um clima mais favorável para o desenvolvimento das atividades agrícolas, também devolveu parte dos ganhos da sessão anterior e continua a apresentar alta volatilidade, tanto no arábica negociado na bolsa norte-americana quanto no robusta na Bolsa de Londres.
Apesar do movimento negativo, as perdas encontraram um limite devido ao cenário ainda apertado da oferta global e à demanda que continua consistente no mercado internacional. Além disso, há previsões que indicam a possibilidade de chuvas voltarem a afetar importantes regiões produtoras de café nos próximos dias. Como destacaram analistas e consultores, o mercado opera sem uma direção única e bem definida.
“Episódios de chuva isolada podem afetar áreas produtoras do interior de São Paulo a partir de quarta-feira, com intensificação prevista entre quinta e sexta-feira, acompanhados de rajadas fortes. Até a sexta-feira, as pancadas de chuva devem atingir partes da Alta Mogiana. Essas condições podem interromper temporariamente a colheita e a secagem dos grãos”, informa o boletim diário do Escritório Carvalhaes.
O mercado acompanhou a previsão de tempo mais seco nas regiões cafeeiras brasileiras, especialmente em Minas Gerais e São Paulo, condições consideradas ideais para acelerar os trabalhos de campo e reduzir os atrasos que foram registrados anteriormente. Com isso, operadores começaram a incorporar um fluxo maior de café no mercado, incentivando a realização de lucros e novas vendas por parte dos fundos.
“O tempo seco e a baixa umidade continuam predominando no Cerrado e no interior Mineiro, favorecendo a colheita, a secagem e o transporte dos grãos. Entre o Espírito Santo, sul da Bahia e até parte da Zona da Mata Mineira, há previsão de episódios isolados e rápidos de chuva. As temperaturas tendem a aumentar e não há risco de extremos em áreas de café”, complementa o escritório, com informações da Climatempo.
Analistas e consultores ressaltam que o espaço para quedas mais acentuadas continua limitado. Isso se deve ao fato de que os estoques globais permanecem relativamente ajustados, enquanto importantes origens produtoras ainda enfrentam restrições na oferta em relação ao seu potencial histórico. Ao mesmo tempo, o consumo mundial continua resiliente, sustentado pela demanda da indústria e dos principais mercados importadores.
BAIXAS TAMBÉM NO MERCADO INTERNO
Nas praças de comercialização analisadas pelo Notícias Agrícolas, os preços do café também apresentaram queda. As perdas na Bolsa de Nova Iorque se somaram à desvalorização do dólar e, no caso do cereja descascado, por exemplo, as perdas chegaram a 2,4%, como ocorreu em Guaxupé/MG, onde a saca foi a R$ 1828,00. No tipo 6 bebida dura, em Campos Gerais, o recuo foi de 2,46%, com os preços caindo para R$ 1786,00 por saca.
“O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com grande interesse por parte dos compradores para todos os padrões de café. As fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana dificultam bastante o fechamento de negócios no mercado físico. Os vendedores rejeitam as bases de preço oferecidas pelos compradores e adiam as vendas, aguardando um cenário mais claro para os próximos meses. Vendem apenas o necessário para cumprir os compromissos mais imediatos”, afirma o diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes.








