O mercado volta a funcionar após o feriado nos Estados Unidos, com investidores focados nos fundamentos e na atuação dos fundos.
Os preços do café começaram a semana em alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (6), com o mercado reiniciando as negociações após o feriado da Independência dos Estados Unidos. A valorização é notada tanto no arábica, em Nova York, quanto no robusta, em Londres, em meio à continuidade da volatilidade que caracterizou o mercado na última semana.
O dia começou com o contrato setembro/26 do café arábica sendo negociado a 313,05 cents de dólar por libra-peso, com alta de 1.185 pontos. O vencimento dezembro/26 subia 1.200 pontos, cotado a 298,30 cents/lbp.
Na ICE Europe, o contrato setembro/26 do café robusta era negociado a US$ 3.870 por tonelada, com um ganho de 154 pontos. O vencimento novembro/26 subia 149 pontos, atingindo US$ 3.828 por tonelada.
O mercado inicia a semana ainda refletindo a forte volatilidade observada nos últimos pregões. De acordo com a análise de Gustavo Matias, da Matias Coffee Trading, esse movimento foi impulsionado, principalmente, pelo reposicionamento dos fundos de investimento, pela atuação dos fundos quantitativos (CTAs) e por operações de ajuste de posições, fatores que elevaram significativamente o volume de negócios e ampliaram as oscilações das cotações.
Conforme o analista, apesar de os fundamentos continuarem dando suporte ao mercado, eles, por si só, não explicam a magnitude das altas observadas na semana passada. O atraso na colheita brasileira, os estoques globais reduzidos, a inversão dos spreads e as incertezas climáticas permanecem no foco dos investidores, mas a intensificação dos movimentos dos fundos foi decisiva para a recente volatilidade.
A análise ainda ressalta que o contrato setembro do arábica chegou a oscilar cerca de 4.800 pontos ao longo da última semana, enquanto o robusta também apresentou forte valorização, refletindo o aumento da participação dos investidores financeiros no mercado futuro.
No Brasil, a recuperação dos preços internacionais ocorreu em um momento crucial para o setor, durante o avanço da colheita. Segundo Gustavo Matias, a alta contribuiu para uma melhor formação dos preços no mercado físico, beneficiando os produtores que ainda não haviam comercializado parte da safra e proporcionando condições mais favoráveis para negociações de contratos futuros.
Apesar da recuperação dos preços, o analista destaca que os agentes continuam monitorando de perto os números efetivos de produção, exportação e consumo. Em sua análise, o mercado continua bastante sensível aos movimentos dos fundos e às mudanças nas expectativas de oferta, o que deve manter a volatilidade elevada nas próximas sessões.
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