O mercado observa o progresso das atividades no Brasil, o aumento das exportações e novas previsões de uma safra recorde em 2026.
Na sexta-feira (12), os preços do café encerraram em alta nas bolsas internacionais, impulsionados principalmente pela lentidão da colheita brasileira e pela percepção de que a nova safra está entrando gradualmente no mercado.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato para julho/26 do café arábica fechou a 257,20 cents por libra-peso, com uma elevação de 325 pontos. O contrato de setembro/26 teve um aumento de 315 pontos, chegando a 253,40 cents/lb, enquanto o de dezembro/26 ganhou 325 pontos, finalizando a sessão a 246,45 cents/lb.
Em Londres, o robusta também teve valorização. O contrato de julho/26 subiu 131 pontos, fechando a US$ 3.594 por tonelada. O setembro/26 avançou 130 pontos, atingindo US$ 3.525 por tonelada, enquanto o novembro/26 ganhou 124 pontos, encerrando o dia a US$ 3.452 por tonelada.
O mercado se sustentou nas informações de que a colheita brasileira está atrasada em comparação ao ano anterior em algumas regiões produtoras. Apesar do progresso nos trabalhos de campo, as chuvas ao longo do ciclo contribuíram para um ritmo mais lento da colheita, diminuindo a pressão imediata da entrada do café novo sobre os preços.
Simultaneamente, operadores continuam a avaliar o potencial produtivo da safra brasileira. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou sua estimativa para a produção nacional de café em 2026, agora prevista em 66,8 milhões de sacas, o que representa um novo recorde para o país. O aumento da produção reforça a expectativa de maior oferta ao longo do segundo semestre, limitando movimentos mais intensos de valorização.
No campo, no entanto, ainda existem incertezas sobre o rendimento e a qualidade dos grãos colhidos até agora. Uma análise da Gerência de Desenvolvimento Agrícola (GDA) do Sistema FAEMG indica que a safra mineira possui bom potencial produtivo, mas sem resultados considerados excepcionais. A instituição também ressalta que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre o rendimento médio estadual, uma vez que a colheita e o beneficiamento dos grãos estão em estágios iniciais.
Outro aspecto monitorado pelo mercado foi o desempenho das exportações brasileiras. Dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostraram uma recuperação dos embarques em maio, favorecida pela entrada dos primeiros volumes da nova safra, especialmente de cafés canéforas.
Com a colheita progredindo, exportações ganhando impulso e estimativas apontando para uma safra recorde, o mercado continua a equilibrar a expectativa de maior oferta com incertezas sobre a qualidade e o rendimento efetivo dos grãos. Esse panorama deve continuar a influenciar o comportamento das cotações nas próximas semanas.



















