O mercado internacional responde à diminuição da oferta brasileira, entretanto, o avanço da safra limita a agilidade das transações no mercado físico.
O mercado futuro do café finalizou esta quarta-feira, 15 de abril, com uma nova valorização nas bolsas internacionais, impulsionado principalmente pela diminuição da disponibilidade de café brasileiro no curto prazo. Esse movimento chama a atenção dos produtores, já que o cenário externo permanece sólido, mas o mercado interno continua a agir de forma mais cautelosa.
Na Bolsa de Nova York, o café arábica fechou em alta nos principais contratos. O julho/26 terminou cotado a 298,25 cents/lb, com um aumento de 65 pontos. O setembro/26 encerrou em 284,10 cents/lb, com um ganho de 85 pontos. O contrato de dezembro/26 fechou em 275,50 cents/lb, com uma valorização de 120 pontos.
Na ICE Europa, o robusta também apresentou crescimento. O contrato julho/26 fechou a US$ 3.394 por tonelada, com um aumento de 43 pontos. O setembro/26 terminou em US$ 3.322 por tonelada, com um ganho de 43 pontos. O novembro/26 encerrou cotado a US$ 3.267 por tonelada, com uma valorização de 44 pontos.
O suporte aos preços provém, principalmente, da redução das exportações brasileiras neste momento, um fator que diminui a oferta disponível no mercado internacional e sustenta os valores. Essa situação ocorre em um período de transição entre safras, quando o fluxo ainda não atingiu seu pico.
Simultaneamente, dados recentes indicam que o Brasil está a caminho de uma safra robusta. Conforme estimativa do IBGE, a produção de café pode alcançar cerca de 65,1 milhões de sacas, o que reforça a expectativa de maior oferta nos próximos meses.
Essa disparidade entre o curto e o médio prazo ajuda a esclarecer o comportamento do mercado. No curto prazo, a oferta restrita sustenta os preços. No entanto, no horizonte mais longo, a chegada da nova safra tende a aumentar a disponibilidade e pode limitar avanços mais significativos.
No mercado físico brasileiro, o ritmo das negociações permanece mais cauteloso. Com a aproximação da colheita, há uma pressão natural sobre os preços, como indicam levantamentos do Cepea, o que leva os produtores a adotarem uma postura mais estratégica na comercialização.
Além disso, o câmbio continua a ser um fator crucial. Apesar das oscilações recentes, o comportamento do dólar ainda influencia a competitividade das exportações e a formação de preços no mercado interno.
O fechamento desta quarta-feira revela um mercado sustentado no exterior, mas ainda em ajuste dentro do Brasil. Para o produtor rural, o momento exige atenção ao timing de venda. A alta nas bolsas pode representar uma oportunidade, porém, o avanço da safra e o comportamento do câmbio devem continuar a ser determinantes nas próximas semanas.











