O café arábica registra uma alta de 1.415 pontos e o robusta avança 79 pontos na abertura desta terça-feira, enquanto os agentes do mercado permanecem atentos ao ritmo da colheita, à qualidade da safra e à oferta global.
As cotações do café iniciam esta terça-feira (28) com um expressivo aumento nas bolsas internacionais, ampliando os ganhos observados na sessão anterior. O mercado continua sustentado pelos baixos estoques certificados de arábica na ICE Futures US, pelas preocupações com a oferta global e pelas incertezas em relação à qualidade da safra brasileira de 2026, além das apreensões sobre os impactos do fenômeno El Niño nas próximas safras dos principais países produtores.
Pela manhã, o contrato setembro/26 do café arábica apresentava alta de 1.415 pontos, sendo negociado a 338,70 cents/lbp na ICE Futures US. O vencimento dezembro/26 subia 1.165 pontos, cotado a 317,55 cents/lbp, enquanto o março/27 registrava um aumento de 1.050 pontos, sendo negociado a 308,95 cents/lbp.
Em Londres, o robusta também registrava valorização. O contrato setembro/26 subia 79 pontos, cotado a US$ 3.878 por tonelada. O novembro/26 avançava 72 pontos, para US$ 3.853 por tonelada; o janeiro/27 ganhava 71 pontos, negociado a US$ 3.816 por tonelada; e o março/27 tinha uma alta de 75 pontos, cotado a US$ 3.789 por tonelada.
O mercado continua a trajetória de recuperação observada na segunda-feira, quando o arábica encerrou o pregão com um aumento de 1.075 pontos, após oscilar 1.955 pontos entre a máxima e a mínima do dia. Essa forte amplitude reforça um ambiente de alta volatilidade, impulsionado pela atuação de fundos e especuladores, além das preocupações persistentes em relação à oferta.
Conforme análise do Escritório Carvalhaes, o suporte aos preços ainda vem da redução dos estoques certificados na ICE Futures US. Na segunda-feira, esses estoques diminuíram em 18.507 sacas, totalizando 292.810 sacas. Um ano atrás, o volume era de 802.678 sacas, o que representa uma queda superior a 509 mil sacas em doze meses. Apenas no primeiro semestre deste ano, a redução acumulada chega a 158.706 sacas, reforçando a percepção de oferta restrita no mercado internacional.
Outro fator que mantém o mercado em estado de alerta é a situação da safra brasileira. Apesar do avanço da colheita em várias regiões, as chuvas registradas durante o ciclo ainda levantam dúvidas sobre a qualidade dos grãos, principalmente dos arábicas. Além disso, persistem as preocupações com os reflexos do El Niño sobre as próximas produções mundiais.
No mercado físico brasileiro, o cenário permanece praticamente inalterado. O interesse dos compradores continua elevado para todos os padrões de café, mas as fortes oscilações nas bolsas dificultam o fechamento de negócios. Segundo o Escritório Carvalhaes, muitos produtores estão recusando as bases de preços oferecidas pelos compradores e comercializando apenas o necessário para cumprir compromissos imediatos, aguardando maior definição sobre o comportamento do mercado nos próximos meses.
As condições climáticas continuam favoráveis aos trabalhos no campo. De acordo com a previsão da Climatempo, uma massa de ar seco predomina sobre grande parte das regiões produtoras do Sudeste, garantindo boas condições para a colheita e secagem dos grãos. Há previsão de chuvas isoladas entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo no início da semana. Entre quarta e quinta-feira, uma frente fria deve provocar instabilidades sobre São Paulo, mas os maiores acumulados são esperados para o oeste do estado. Nas principais áreas cafeeiras da Alta Mogiana, Sul de Minas e Zona da Mata, as precipitações devem ser pontuais e de baixo volume, sem comprometer significativamente o andamento da colheita. Para o final da semana, a chuva tende a intensificar entre o Espírito Santo e o sul da Bahia, enquanto o restante do cinturão cafeeiro deverá permanecer com tempo seco e temperaturas em elevação.








