O café arábica recuou 9,24% em Nova York, enquanto o robusta registrou uma perda de 4,25% em Londres, após uma forte alta no dia anterior.
Os preços do café aprofundaram as perdas nesta terça-feira (7), devolvendo parte dos expressivos ganhos obtidos na sessão anterior. Esse movimento é atribuído principalmente à realização de lucros e a vendas técnicas, após o mercado ter alcançado os maiores níveis dos últimos meses.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro/26 do café arábica caiu 3.235 pontos, sendo negociado a 317,60 cents de dólar por libra-peso. O vencimento dezembro/26 recuou 3.040 pontos, cotado a 305,00 cents/lbp.
Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o robusta também apresentou uma forte desvalorização. O contrato setembro/26 perdeu 172 pontos, alcançando US$ 3.872 por tonelada, enquanto o vencimento novembro/26 recuou 168 pontos, sendo negociado a US$ 3.839 por tonelada.
De acordo com análise da Barchart, o mercado está passando por uma correção após o rali da segunda-feira, quando o arábica atingiu a máxima em cinco meses e meio e o robusta alcançou o maior nível em cinco meses. Além da realização de lucros, a elevação das margens exigidas pela ICE para a negociação dos contratos futuros também incentivou liquidações de posições compradas.
Na avaliação do analista Gustavo Matias, o intenso movimento observado entre segunda e terça-feira apresenta características predominantemente técnicas. Segundo ele, uma alta seguida de uma queda em apenas dois pregões dificilmente pode ser explicada apenas pelos fundamentos do mercado. Para o analista, fatores como fluxo de fundos, cobertura de posições vendidas (short covering), acionamento de ordens de stop, operações com opções, rolagem de contratos e a movimentação de grandes participantes foram determinantes na recente volatilidade.
“Os fundamentos criaram o ambiente para a reação dos preços, mas foi o fluxo financeiro que executou esse movimento”, resume. Matias acrescenta que, se houvesse um fator estrutural novo sustentando a alta, a devolução de mais de 3 mil pontos em um único dia dificilmente teria acontecido.
As preocupações climáticas relacionadas ao El Niño também já vinham sendo incorporadas aos preços nas últimas sessões. Analistas acreditam que esse cenário ajuda a explicar a correção observada nesta terça-feira, diante dos sinais de sobrecompra após a forte valorização registrada no pregão anterior.
Apesar da correção, os fundamentos de suporte permanecem em foco. O atraso na colheita brasileira, causado pelas chuvas, continua limitando a oferta imediata, enquanto a possibilidade de novas precipitações em julho e os baixos estoques certificados de arábica seguem alimentando as preocupações com a disponibilidade de café no curto prazo.







