A normalização da logística do café na Colômbia, com a recuperação do fluxo de grãos para um importante porto de exportação e, subsequentemente, para os mercados internacionais, pode levar até duas semanas. Já a reparação das instalações de beneficiamento poderá demandar um período mais extenso, conforme afirmaram participantes do mercado nesta sexta-feira.
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região cafeeira da Colômbia resultou na morte de quase 300 pessoas e provocou deslizamentos de terra em diversas estradas que os produtores utilizam para transportar o café das fazendas até os armazéns e, finalmente, até o principal porto de exportação, Buenaventura.
“Estimamos que levará aproximadamente 15 dias para que o fluxo de café se normalize”, comentou Carlos Santana, diretor da Ecom, uma empresa global de comercialização de café.
A Colômbia representa cerca de 25% do café consumido nos Estados Unidos, que é o maior mercado mundial do grão.
“O porto não está fechado, mas está complicado fazer com que o café chegue até lá, e vários armazéns também sofreram danos estruturais”, acrescentou ele.
A ATM Terminals, responsável pela administração do porto de Buenaventura, comunicou que as operações estão sendo gradualmente retomadas, incluindo a movimentação nos armazéns portuários de café e açúcar, embora o porto ainda não esteja disponível para receber mais contêineres cheios para exportação.
A usina de secagem gerida pela comercializadora Caravela Coffee em Armênia, localizada no centro-oeste do principal cinturão cafeeiro da Colômbia, sofreu danos estruturais e em equipamentos devido ao terremoto, informou a empresa.
Ela divulgou nas redes sociais um vídeo de câmera de segurança que mostra o momento do tremor. A usina é utilizada para beneficiar café verde e prepará-lo para embarque internacional.
“Ainda não temos uma previsão de quando poderemos retomar as operações de forma segura. Também estamos enfrentando problemas com a falta de energia elétrica na usina”, afirmou o diretor executivo da Caravela, Alejandro Cadena.
A pausa temporária nas remessas da Colômbia resultará em uma diminuição da disponibilidade de café.
“Esse evento ocorre em um contexto de estoques já limitados de arábica certificado pela ICE, restringindo a oferta no mercado à vista, enquanto compradores buscam o Brasil como alternativa para compensar qualquer interrupção na Colômbia”, declarou a Expana, agência de análise e divulgação de preços.








