Iniciativa demonstra que práticas regenerativas aumentam a produtividade, aprimoram a qualidade do café e fortalecem a resiliência das plantações
A busca por maior produtividade, qualidade e resistência às alterações climáticas tem apresentado um desafio crescente para os cafeicultores: aumentar a produção sem comprometer os recursos naturais essenciais para a atividade. Nesse contexto, onde se torna fundamental preservar a saúde do solo e minimizar os impactos ambientais, a agricultura regenerativa surge como uma alternativa viável para assegurar a sustentabilidade da cafeicultura no Brasil.
Foi nesse cenário que surgiu o Projeto Café Sustentável, uma iniciativa criada pela Syngenta em colaboração com a JDE Peet’s, a maior empresa de café do mundo, detentora de marcas como Pilão e L’OR. Lançado em julho de 2024, o programa abrange 30 propriedades cafeeiras e 90 hectares que adotam práticas regenerativas em regiões produtoras significativas do país, como o Cerrado Mineiro, o Sul de Minas e a Mogiana.
A proposta integra tecnologias de proteção de cultivos, soluções biológicas, análises laboratoriais avançadas, polinização assistida e uso de plantas de cobertura, com o objetivo de demonstrar que é possível aumentar a eficiência produtiva com um impacto ambiental reduzido.
Os resultados do segundo ano de monitoramento já começam a evidenciar os impactos dessa abordagem no campo.
No Sul de Minas, as áreas sob manejo regenerativo aumentaram de 26,1 para 40,6 sacas por hectare, o que representa um incremento de 55% em relação ao sistema convencional. Na Mogiana, o crescimento foi de 25%, enquanto no Cerrado Mineiro, alcançou 7%.
Além da produtividade, a iniciativa também trouxe progresso significativo na qualidade do café. Nas propriedades participantes, a pontuação da bebida na escala da Specialty Coffee Association (SCA) registrou uma evolução de até 1,97%, ampliando as oportunidades de acesso a mercados premium e agregando valor à produção.
Outro indicador importante foi a redução de até 71% na presença de nematoides nas lavouras, um resultado relacionado à melhoria das condições do solo e ao fortalecimento do sistema produtivo.
De acordo com Natália Vasconcelos, gerente de Sustentabilidade da Syngenta, os resultados destacam a importância de investir na saúde do solo como base para a sustentabilidade agrícola.
“Acreditamos que um solo saudável é o pilar fundamental da agricultura. Com o Café Sustentável, demonstramos que a adoção de práticas regenerativas protege os recursos naturais, assegura a rentabilidade dos produtores e a continuidade da cultura diante das mudanças climáticas”, afirma.
Segundo Bruno Ribeiro, gerente de Fornecimento Responsável da JDE Peet’s, a construção de uma cafeicultura mais resiliente depende da colaboração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
“Nenhuma empresa consegue enfrentar sozinha os desafios do café, e este projeto com a Syngenta permite que combinemos nossas expertises, conhecimento agronômico, engajamento com os produtores e acesso ao mercado, buscando objetivos comuns: fortalecer a resiliência dos cafeicultores e aprimorar as práticas agrícolas ao longo do tempo”, destaca.
O exemplo da Fazenda Nonno Marchi
Entre as propriedades participantes, a Fazenda Nonno Marchi, situada em Serra Negra (SP), tornou-se um dos principais exemplos dos resultados obtidos pelo programa.
Reconhecida pela produção de cafés especiais 100% arábica a 1.150 metros de altitude, a fazenda já possuía um histórico de adoção de práticas sustentáveis antes de ingressar no projeto. No entanto, os resultados nas áreas sob manejo regenerativo mostraram avanços impressionantes.
Nos últimos dois anos, a produtividade média da área convencional foi de 40 sacas por hectare, enquanto a área regenerativa atingiu uma média de 58,5 sacas por hectare.
Os ganhos também se refletiram na qualidade do café. A área padrão registrou uma média de 83,84 pontos na escala SCA, enquanto a área gerida dentro do projeto alcançou 89,19 pontos, superando a marca de 89 pontos e consolidando a propriedade como uma referência em inovação e manejo sustentável.
Em 2025, a Fazenda Nonno Marchi ainda conquistou o título de terceiro melhor café do Brasil no concurso Florada Premiada.
“Devido a essa trajetória pioneira no café, fizemos questão de incluí-los já na fase inicial do projeto. Pudemos observar que, mesmo em uma fazenda que já adota práticas de manejo mais sustentáveis, a adesão ao nosso projeto contribuiu ainda mais para melhorar a qualidade do solo, aumentar a produtividade e a qualidade do grão”, ressalta Natália Vasconcelos.
Os resultados reforçam a proposta central do Projeto Café Sustentável: demonstrar que a combinação entre tecnologia, manejo regenerativo e parceria entre os diferentes elos da cadeia pode transformar a produção de café, tornando as propriedades mais produtivas, resilientes e preparadas para os desafios futuros.








