Atualizado em: 20/10/2025 Café Arábica Bebida Dura tipo 7: R$ 2.150,00 Café Arábica Rio 7: R$ 1.650,00 Conilon tipo 7: R$ 1.350,00
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Brasil a caminho de um novo marco: Produção de café em 2026 prevê ultrapassar os 70…

As primeiras previsões indicam um futuro promissor, mas o clima e a recuperação dos estoques ainda representam desafios.

As primeiras projeções sugerem que o Brasil deverá alcançar uma safra recorde de café em 2026. As condições climáticas mais favoráveis observadas no final do ano passado, durante um período crucial do ciclo da cultura, junto com temperaturas mais amenas antes da floração que melhoraram a fixação, sustentam a expectativa de uma recuperação na safra brasileira nesta temporada, especialmente do arábica.

Na última quinta-feira (05), a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apresentou seu primeiro levantamento, que indica um aumento de 17,1% em relação à safra de 2025, estabelecendo assim um novo recorde. Conforme a Companhia, o Brasil deve alcançar 66,2 milhões de sacas de 60 kg, com o arábica correspondendo a uma produção de 44,09 milhões de sacas, um aumento de 23,3% em relação à safra anterior, enquanto os canéforas (conilon/robusta) apresentam um crescimento de 6,4%, totalizando 22,09 milhões de sacas.

As projeções da Hedgepoint Global Markets também ressaltam que as chuvas de outubro e novembro de 2025 beneficiaram a floração do arábica, enquanto o conilon apresentou bom desenvolvimento nas principais regiões produtoras. Esse cenário reflete uma expectativa de produção nacional entre 71,0 e 74,4 milhões de sacas, com o arábica inicialmente projetado para produzir entre 46,5 e 49,0 milhões de sacas, e o conilon entre 24,6 e 25,4 milhões de sacas. “Com a recuperação do arábica e uma produção de conilon ainda elevada, a safra 2026/27 tende a ajudar na recomposição dos estoques globais”, explica a companhia.

A StoneX, por sua vez, aponta que o clima não foi tão favorável e causou uma diminuição do potencial máximo que a atual safra brasileira poderia alcançar. Mesmo assim, sua primeira estimativa indica uma produção total de 70,7 milhões de sacas, representando um avanço de 13,5% em relação ao ciclo anterior (2025/26). Deste total, 47,2 milhões são de arábica (aumento anual de 29,3%) e 23,5 milhões de sacas de robusta (queda de 8,9%). Entretanto, a empresa observa que, apesar da recuperação esperada, os últimos anos (2021–2024) foram marcados por déficits consecutivos no balanço global de café, resultando em uma redução dos estoques mundiais em mais de 22 milhões de sacas. “A safra 2026/27 se mostra crucial para a recomposição desses estoques, embora o cenário climático siga desafiador e incerto”, completa o relatório.

Após a realização de um Tour do Café para avaliar “in-loco” as condições do parque cafeeiro da safra 26/27, a Pine Agronegócios constatou que a produtividade desta temporada foi bastante impactada por questões climáticas. “Para o café Arábica, eventos extremos como geadas e chuvas de pedras resultaram em reduções na produção total. No caso do Conilon, a diminuição do potencial produtivo se deve a vários fatores, sendo o primeiro uma safra cheia em 2025, o que exigiu manejos mais rigorosos, reduzindo assim o potencial produtivo para este ano 26/27. O segundo fator é o clima, que prejudicou a florada do Conilon em um período de baixa umidade do solo, com chuvas abaixo da média e um longo intervalo sem chuvas entre 03 e 24/11, impactando a formação dos frutos”, destaca o relatório enviado pela consultoria.

A Pine estima que, diante dos problemas identificados durante o tour, a safra de arábica para 2026, que tinha um potencial produtivo de aproximadamente 48,471 milhões de sacas, foi reduzida para 44,213 milhões de sacas devido a um crescimento de área no Arábica de 8,46%. O conilon/robusta, que tinha uma expectativa de produção de 25,429 milhões de sacas para a safra 26/27, também foi afetado pelos fatores mencionados, resultando em uma expectativa de produção de 23,486 milhões de sacas.
O relatório do Itaú BBA indica que a safra brasileira deve alcançar um volume de 69,3 milhões de sacas, sendo 44,8 milhões de arábica (um aumento de 18%) e 24,5 milhões de robusta (uma queda de 2%). O documento ressalta que, apesar do crescimento da produção global para 188 milhões de sacas, impulsionado por este avanço brasileiro, o consumo deve subir de forma moderada para 176 milhões, resultando em um superávit de 11,3 milhões de sacas, o que indica que ainda estamos diante de um cenário de estoques apertados.

Safra recorde brasileira X estoques e consumo mundial: O que dizem os especialistas?

Conforme o analista de mercado e diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, o Brasil passou por uma safra 25/26 estimada em cerca de 62 milhões de sacas. Considerando que o consumo interno girou em torno de 22 milhões e que as exportações devem alcançar 39 milhões, o estoque de passagem ficará em apenas 2 milhões de sacas. “Estamos saindo de um estoque de passagem quase zerado no início da safra anterior, o que tem impactado os preços do café. Não podemos esquecer que os preços elevados provocaram uma mudança na composição do consumo, com um aumento na utilização do Canephora. No mercado interno, a queda no consumo foi de 2%”, completou o analista.

O analista de mercado da Archer Consulting, Marcelo Moreira, destaca que o consumo é o grande desafio do mercado de café. “Se considerarmos a projeção do USDA de 176 milhões de sacas, o estoque mundial aumentará para 16 milhões de sacas, elevando o índice estoque mundial x consumo mundial para cerca de 10%. Embora ainda não seja ideal, esse cenário reflete um mercado mais abastecido. Contudo, se a demanda mundial seguir a projeção da Organização Internacional do Café de 187 milhões de sacas para a safra 2026/27, o superávit mundial cairá para apenas 4 milhões de sacas, e o índice estoque x consumo mundial permanecerá crítico, em apenas 2,50%”, pontuou.

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